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Armazenagem: Considerações sobre a Atividade de Picking
Maurício
Lima
Introdução
O
principal fator a ser atribuído à evolução
da armazenagem no mundo nas duas últimas duas décadas foi
o aumento da exigência dos clientes. Um recente estudo¹ sobre
automação na área de armazenagem analisou os centros
de distribuição de três grandes empresas no Brasil
- Chocolates Garoto, Souza Cruz e Lojas Americanas - e identificou a melhoria
da qualidade do serviço e/ou produto como o principal motivador
de seus investimentos nesta área.
Outra pesquisa² periódica indica que a frequência e
o prazo de entrega estão entre as três principais dimensões
de serviço, avaliadas pelo varejo. A importância dada a essas
duas dimensões é relacionada aos programas de redução
do nível de estoque - como JIT (just in time), QR (quick
response) e reposição contínua -, cujos alicerces
estão apoiados no aumento da frequência e na diminuição
do prazo de entrega.
Além disso, a grande proliferação do número
de produtos - resultado não só do lançamento de novos
produtos, como também da grande variedade de modelos, cores e embalagens
- e o crescente aumento das entregas diretas ao consumidor - fruto das
vendas por catálogos, pela internet, pelo telefone, ou até
mesmo por lojas que passaram a trabalhar apenas com mercadorias expostas
em mostruário - também trouxeram novas demandas para as
operações de armazenagem.
Como resposta a esses desafios, as empresas reestruturam as suas operações
de armazenagem para atender ao aumento do número de pedidos (resultado
da maior frequência de entrega e da entrega direta ao consumidor),
a uma maior variedade de itens (devido à proliferação
do número de produtos) em um tempo menor (resultado do encurtamento
do prazo de entrega). Assim, os armazéns de produto acabado com
a finalidade de estocar mercadorias, estão dando lugar aos centros
de distribuição, cujo foco principal está sobre a
atividade de picking³ .
O aumento da importância da atividade de picking fez com
que novos investimentos fossem feitos nesta área, principalmente
nos sistemas de separação. Para se ter uma idéia
da representatividade dos custos desta atividade em média o picking
é responsável por 60% dos custos ;
de um centro de distribuição.
Dentro deste contexto, o presente artigo irá abordar a atividade
de picking, esclarecendo algumas questões sobre três
importantes decisões de planejamento. A primeira é referente
à separação de uma área do centro de distribuição
apenas para o picking, independente da estocagem. A segunda é
relativa à organização do trabalho. Já a terceira
decisão envolve a seleção das tecnologias a serem
adotadas. Por fim, serão abordados dois desafios advindos de novas
tecnologias disponíveis, difundidas recentemente, a primeira referente
ao A-Frame e a segunda ao picking by-light.
¹Tese de Pedro Leonardo Alves sobre Implantação
de Tecnologias de Automação de Depósitos: Um Estudo
de Caso, COPPEAD/ UFRJ, 2000.
²Pesquisa Benchmark - Serviço ao Cliente,
Centro de Estudos em Logística COPPEAD/ UFRJ.
³A atividade de picking considera a
coleta e separação dos pedidos segundo a necessidade de
cada cliente.
Ver TOMPKINS, J.A. Facilities
Planning, Second Edition, John Wiley & Sons, New York, 1996
A separação
da área de picking da área de estocagem
A área
de estocagem na maioria dos armazéns ocupa um espaço relativamente
grande, devido ao acondicionamento dos estoques. Assim, a separação
dos pedidos realizados nessa área pode implicar em grandes deslocamentos
por parte dos operadores.
A figura 1 mostra o consumo relativo de tempo de um operador, realizando
o picking na área de estocagem. Este gráfico indica
que um operador consume 50% do seu tempo apenas com os deslocamentos na
área de estocagem.

Figura 1 - Distribuição do Tempo do Operador (Fonte:
Tompkins Associates)
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No entanto,
existem algumas alternativas intermediárias para diminuir este
tempo gasto com o deslocamento. Entre estas, destacam-se:
- Algoritmos
para definição das rotas de coleta, que minimizam a distância
média percorrida na separação do pedido;
- métodos
alternativos de organização do trabalho (que serão
tratados mais adiante) com objetivo, por exemplo, de coletar mais pedidos
por cada deslocamento;
- lógicas
de endereçamento que posicionem os produtos na área de
estocagem usando critérios que minimizem a distância média
de movimentação, considerando o número de expedições
de cada item, o seu volume em estoque e a complementariedade entre os
itens (ou seja, guardar próximos os produtos que normalmente
são expedidos juntos).
Além
disso, a identificação nos endereços de coleta e
a disposição clara e objetiva das informações
(documentações, instruções e etiquetas), também
são pontos importantes para se agilizar as tarefas do operador.
Mesmo considerando a utilização de todas as medidas apresentadas,
a complexidade do picking torna necessária a separação
de uma área do armazém dedicada a esta atividade. Entre
os direcionadores utilizados para definir o grau de complexidade, destacam-se:
o tamanho das unidades de separação, o número de
pedidos expedidos por dia, a variedade de itens e o intervalo tempo disponível
para a separação de um pedido.
De acordo com o tamanho das unidades de separação - que
considera a menor unidade - têm-se cinco categorias básicas:
- separação
de paletes - quando a menor unidade de separação é
o palete. Nesse caso, os pedidos nunca contêm frações
de paletes de determinados produtos, apenas paletes fechados;
- separação
de camadas de palete - neste caso a menor unidade de separação
é um conjunto de caixas, que formam uma camada do palete;
- separação
de caixas - quando a menor unidade de separação são
as caixas fechadas;
- separação
de caixas fracionadas - é o caso em que as caixas necessitam
ser abertas para manuseio de pacotes, que compõem a caixa;
- separação
de itens - alternativa mais fracionada onde são manuseados itens
individuais de determinados produtos.
Quanto mais
fracionada for a separação, maior for o número de
pedidos expedidos por dia, maior for a variedade de itens e menor for
o tempo disponível, mais complexa será considerada a operação.
Além da complexidade afetar a performance e a produtividade do
picking, ela também compromete a precisão no preenchimento
do pedido, tendo em vista o aumento da possibilidade de erros que dificulta
a conferência.
A opção pela área dedicada para a atividade de picking
permite que uma ampla gama de mercadorias seja disposta em uma região
relativamente pequena, de modo que operador não precise percorrer
grandes distâncias no seu deslocamento.
A área dedicada para o picking, no entanto, cria uma nova
demanda: o ressuprimento dos itens na linha de separação.
Em casos mais críticos, onde o giro de produtos na linha é
muito alto, é necessária a criação de uma
área de estoque intermediária entre a estocagem e o picking,
denominada estoque reserva. Esta área tem a função
de ressuprir rapidamente a linha de separação, uma vez que
esta deve operar com baixo nível de estoque e sem falta de produtos
para garantir a velocidade da linha e minimizar os riscos de paradas.
Métodos
de Organização do Trabalho
Com o intuito
de melhorar a produtividade do picking foram desenvolvidos alguns
métodos de organização do trabalho (figura 2) com
o objetivo de minimizar os tempos não úteis, gastos com
os deslocamentos dos operadores e com a busca por produtos. Estes métodos
consideram o número de operadores responsáveis pela separação
de cada pedido e o número de pedidos coletados simultaneamente
por um mesmo operador. A seguir são apresentados os três
métodos básicos:
- picking
discreto - é aquele no qual cada operador coleta um pedido por
vez, coletando linha a linha do pedido. Esta forma de organização
é bastante utilizada pela sua simplicidade. A propensão
a erros é relativamente pequena, por se manusear um pedido por
vez. A sua grande desvantagem é a baixa produtividade, decorrente
do tempo excessivo gasto com o deslocamento do operador.
- picking
por zona - neste método o armazém é segmentado
em seções ou zonas e cada operador é associado
a uma zona. Assim, cada operador coleta os itens do pedido que fazem
parte de sua seção, deixando-os em uma área de
consolidação, onde os itens coletados em diferentes zonas
são agrupados, compondo o pedido original. Este método
é bastante empregado. Entre as suas vantagens destaca-se a flexibilidade
de permitir que diferentes equipamentos de movimentação
e estocagem sejam utilizados. Assim, enquanto uma zona opera com a separação
de paletes, a outra pode manusear caixas. Esta organização
tende a ser mais produtiva que o picking discreto, uma vez que
viabiliza um menor deslocamento dos operadores. Sua grande dificuldade
é o balanceamento da carga de trabalho entre as diferentes zonas.
- picking
por lote - neste método cada operador coleta um grupo de pedidos
de maneira conjunta, ao invés de coletar apenas um pedido por
vez. Assim, ao se dirigir ao local de estocagem de um determinado produto,
o operador coleta o número de itens que satisfaça o seu
conjunto de pedidos. Este método possibilita uma alta produtividade,
quando os pedidos possuem pouca variedade de itens (até 4 itens)
e são pequenos em termos de volume. A sua grande vantagem é
minimizar o tempo de viagem do operador, pois em uma única viagem
este coleta um conjunto de pedidos, diminuindo o deslocamento médio
por pedido. A desvantagem desse método concentra-se nos riscos
de erros na separação e ordenação dos pedidos.

Figura 2 - Métodos de organização do trabalho
na atividade de picking
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Além
dos três métodos apresentados é comum a utilização
do picking por onda. Neste, são realizadas diversas programações
por turno, de maneira que os pedidos devem ser coletados em períodos
específicos do dia. O picking por onda é utilizado
em conjunto com os métodos apresentados e a sua vantagem é
permitir uma maior integração do picking com a área
de expedição, através da programação
da hora de coleta e embarque de cada pedido.
O método de picking utilizado pode ser uma combinação
desses apresentados. O picking por zona pode ser utilizado com
o por lote ou com o por onda, ou até mesmo junto com os dois simultaneamente.
Normalmente, estas combinações viabilizam um aumento de
produtividade, mas também, exigem maior controle.
Independente do método utilizado é fundamental a preocupação
com a ergonomia. Os incentivos por produtividade e precisão também
devem ser considerados como importantes instrumentos na busca por performance
de separação.
Sistemas
de Picking
Existe uma
ampla gama de sistemas desenvolvidos para a atividade de picking
e a sua escolha deve considerar as características específicas
da operação (como variedade de itens, tamanho das unidades
de separação e velocidade de operação) e os
produtos manuseados (como peso, forma e grau de fragilidade), além
da tolerância a erros da separação e do orçamento
disponível.
Antes de tratar dos sistemas de picking, é fundamental apresentar
um importante equipamento utilizado nesta atividade, o flow-rack
(figura 3). Este equipamento pode ser utilizado tanto na separação
de caixas, quanto na de unidades. O seu funcionamento é similar
ao refrigerador de latas de refrigerantes de uma loja de conveniência.
As caixas podem ser supridas pela parte traseira do equipamento e coletadas
pela sua parte dianteira, sendo que a retirada da primeira caixa faz com
que as demais escorreguem para frente.

Figura 3 - Flow-Rack
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Devido ao
seu baixo custo e à sua grande funcionalidade o flow-rack se tornou
um equipamento bastante difundido, podendo ser utilizado com ou sem equipamentos
de movimentação acoplados, como também em conjunto
com sofisticados sistemas de picking.
A seguir, são apresentados os cinco principais sistemas de picking:
A-Frame
O A-Frame (figura 4) é um sistema de alta produtividade
capaz de separar centenas de pedidos em um curto espaço de tempo,
com grande precisão e com um reduzido quadro de pessoal. Este é
um sistema modular, integrado por uma esteira transportadora, sobre a
qual existe uma estrutura composta de uma série de canais que cobre
ambos os lados da esteira. Cada canal trabalha com um determinado SKU,
tendo capacidade de armazenar diversas unidades, que ficam empilhadas
em sua respectiva estrutura.

Figura 4 - A-Frame
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O sistema
de comando do A-Frame controla a ejeção dos produtos de
cada canal na esteira e cada seção da esteira é associada
a um determinado pedido. No final da linha, os produtos são automaticamente
transferidos para caixas e transportados para as outras áreas de
picking, ou diretamente para área de embarque, caso o pedido esteja
completo.
Diversos módulos de A-Frame podem ser utilizados - tanto em série
quanto em paralelo - para que seja aumentada a capacidade do sistema.
Além disso, esta tecnologia também pode ser utilizada em
conjunto com outros sistemas de separação. Este tipo de
sistema permite uma separação bastante rápida com
alta produtividade, no entanto apresenta algumas restrições
de uso relativas a fragilidade e/ou formato dos itens manuseados.
Carrossel
Os carrosséis (figura 5) são equipamentos rotacionais, verticais
ou horizontais, que acondicionam os produtos com a função
de trazê-los até o operador, eliminando os tempos associados
ao seu deslocamento e a procura de produtos. A principal vantagem deste
sistema é permitir uma operação com uma grande variedade
de itens. Além disso, o carrossel vertical também permite
um bom aproveitamento de espaço por aproveitar o pé direito
do prédio. A sua principal desvantagem está relacionada
com a velocidade de coleta, relativamente lenta, o que o torna muitas
vezes não recomendável.

Figura 5 - Carrossel Vertical
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Os sistemas
de estocagem e coleta automáticos
Os sistemas de estocagem e coleta automáticos (AS/RS) capazes de
operar com unidades de movimentação mais fracionadas são
conhecidos como miniload (figura 6). No entanto, mesmo os miniload
são capazes de operar apenas com caixas, ou itens de grande volume.
O seu funcionamento é bastante parecido com o do transelevador
(unit load).
Entre as principais vantagens do miniload pode-se destacar a sua
precisão e velocidade, além da potencialidade de operar
com uma grande variedade de itens. Entre as desvantagens, destacam-se
o elevado custo de implementação e manutenção,
e a falta de flexibilidade desses sistemas.

Figura 6 - Miniload
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A separação
por rádio frequência
Este tipo de sistema se apóia na comunicação por
rádio frequência para auxiliar o operador na coleta dos itens.
Para isso, o operador utiliza um terminal de mão ou um terminal
preso ao braço (figura 7) que indica sempre o endereço do
próximo produto e o número de unidades a ser coletadas.
Ao realizar a coleta dos itens, o operador faz a leitura do código
de barra dos produtos, através do terminal manual, que confere
a coleta e indica o endereço do próximo produto a ser coletado.

Figura 7 -Terminal de rádio frequência com leitura
ótica
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Este tipo
de tecnologia está sendo bastante utilizada no Brasil pelo seu
baixo custo e alta flexibilidade. A sua grande desvantagem está
relacionada a sua performance que é limitada pela velocidade de
deslocamento do operador.
O sistema
de picking by-light
Este sistema concilia performance e flexibilidade conseguindo, graças
a isso, ser um dos sistemas mais difundidos no Brasil. O picking by-light
(figura 8) integra a utilização de esteiras rolantes, leitores
óticos e sensores com as tradicionais estruturas flow racks
manuseadas por operadores.

Figura 8 - Picking by-light
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A boa performance
deste sistema é obtida através da disposição
dos produtos ao redor dos funcionários, que coletam apenas os produtos
da sua estação de trabalho, não precisando se locomover
nem movimentar as caixas dos pedidos que são transportadas de forma
automática por meio de uma correia transportadora. Além
disso, os mostradores digitais de cada posição do flow-rack
indicam automaticamente o local e o número de unidades que devem
ser coletados, tornando desnecessário o picking list, o
que acelera o processo de coleta dos operadores.
A flexibilidade é resultado da participação dos operadores
no manuseio, que além de considerar as características específicas
de cada produto, inclusive a fragilidade, podem, simultaneamente, coletar
e organizar os produtos nas caixas de entrega.
As novas
tecnologias de picking e seus novos desafios
A busca por
uma maior produtividade, velocidade e precisão na separação
do pedidos leva as empresas à implementação de novas
tecnologias na área de picking. No entanto, a simples adoção
de tecnologia não garante estas melhorias operacionais, mas serve
como uma ferramenta que viabiliza o desenvolvimento de novos processos.
Cabe destacar que muitos destes novos processos nem mesmo existiriam sem
esse suporte tecnológico.
Muitas empresas estão implementando sistemas sofisticados de separação
sem que haja um suporte de outros sistemas de apoio e controle. Os sistemas
de suporte e apoio à decisão são complementares à
força de trabalho, aos procedimentos e aos equipamentos de movimentação
e tornam-se vitais dentro da operação de separação.
Dentro deste contexto, pode-se mencionar os sistemas de picking
como ferramentas tecnológicas que possibilitam a arquitetura de
novos processos, capazes de proporcionar grandes ganhos de eficiência.
Para obter sucesso na implementação de um novo processo,
no entanto, é fundamental desenvolver sistemas de comunicação
e capacitar as equipes de trabalho para a operação.
Cada empresa tem suas particularidades com relação a sua
necessidade de separação, em virtude do perfil dos pedidos
de seus clientes e da sua carteira de produtos. Por outro lado, os sistemas
de separação têm uma capacidade nominal que só
pode ser alcançada em termos reais diante de uma série de
premissas. Para ilustrar estas situações serão apresentados,
a seguir, desafios relacionados à implementação das
novas tecnologias A-frame e picking by-light.
Quanto
ao sistema A-Frame
Este é
um dos sistemas de picking que apresenta uma das melhores performances
em termos de velocidade de separação. No entanto, diversas
restrições devem ser satisfeitas para que a sua velocidade
seja maximizada. Dentre elas, duas podem ser destacadas: nenhum pedido
pode ter muitas unidades de um mesmo item e o ressuprimento da linha tem
que ser rápido o suficiente para que o canal de um produto não
chegue a ficar vazio.
Como não é viável limitar a demanda de um determinado
produto em cada pedido, a solução acaba sendo a colocação
de um produto em mais de um canal. Quanto ao ressuprimento, normalmente
se acopla uma linha de flow rack, ao lado do A-Frame com
operadores dedicados a essa atividade. Essas soluções podem
parecer simples, mas na realidade abrem espaço a um grande número
de decisões.
Para complicar a situação, estas decisões devem ser
tomadas quase que diariamente para atender às grandes variações
da demanda por SKU. Entre as decisões necessárias cabe destacar:
o controle do número de canais que será disponibilizado
para cada produto e o posicionamento de todos os produtos, diante das
restrições não apenas da linha, mas também
do ressuprimento.
Quanto
ao sistema de picking by-light
Para maximizar
a performance da separação com este sistema, a linha de
separação deve ter a carga de trabalho bem balanceada entre
as suas estações e os produtos com o maior número
de movimentações devem estar localizados nas posições
de mais fácil acesso dos operadores. O balanceamento da carga de
trabalho é vital para este tipo de sistema, pois cada funcionário
é responsável por uma estação de trabalho
e a formação de filas nas estações pode repercutir
na paralisação de toda linha.
Outro requisito de grande influência na produtividade da linha é
o posicionamento dos produtos segundo o número de movimentações,
uma vez que as diversas posições da estação
(endereços do flow rack) apresentam dificuldades de manuseio
distintas, em função da altura e distância em relação
às mãos do operador.
As características físicas dos produtos - a forma, o peso
e o tamanho - formam um terceiro fator - além da demanda e do posicionamento
dos produtos - que influencia a carga de trabalho de cada estação,
uma vez que a dificuldade de manusear cada produto irá afetar o
seu respectivo tempo de separação.
A grande dificuldade é que, via de regra, a demanda de cada item
sofre constantes oscilações devido aos fatores sazonais,
a sua etapa no ciclo de vida e as ações de marketing da
empresa, além de outros fatores externos. Desta forma, a alocação
dos produtos às posições, ou seja, o balanceamento
de linha deve ser feito de maneira periódica para garantir o acompanhamento
da curva de demanda, mantendo a sua efetividade.
Para que as trocas de produtos na linha sejam realizadas é necessário
que a linha esteja parada, pois o sistema que acende os displays digitais
funciona de acordo com a posição de cada produto. Além
disso, a substituição física dos produtos também
pode afetar o sistema de ressuprimento. Desta forma, é importante
que sempre se minimize o número de substituições
em um balanceamento.
Conclusões
A visão
orientada ao cliente, bem como, o conceito de Logística Integrada
está contribuindo para o desenvolvimento de novas tecnologias no
campo da armazenagem, uma vez que os investimentos necessários
para a automação dos centros de distribuição
passaram a ser vistos como vantajosos em virtude de seu impacto positivo
no nível do serviço prestado e/ou no custo total.
Entre as funções de armazenagem, o picking tem sido
considerada como a atividade mais afetada pelas novas exigências
de mercado. Isto despertou o interesse das empresas por esta atividade,
motivando uma série de medidas que contemplam a separação
do picking da área de estocagem, métodos alternativos
de organização do trabalho e até sofisticados sistemas
de separação.
A alta complexidade de algumas operações de picking,
resultado do grande número de pedidos, da grande variedade de itens,
das pequenas unidades de separação aliadas às necessidades
de tempo e precisão na separação fez com que os sistemas
de picking mais sofisticados, como A-frame e picking
by-light, se tornassem vitais para os processos de algumas empresas.
Por sua vez, a implementação destes sistemas faz surgir
uma série de novos desafios e eleva o patamar de excelência
requerido pelas empresas que buscam tirar o melhor proveito dessas tecnologias,
utilizando outras ferramentas de apoio para maximizar a sua produtividade,
velocidade e precisão.
Referências:
HERAGU, S.S.
Facilities Design, PWS Publishing Company, Boston, 1997.
TOMPKINS, J.A. Facilities Planning, Second Edition, John Wiley
& Sons, New York, 1996.
ADAMS, N.D. Warehouse and Distribution Automation Handbook, McGraw-Hill,
New York, 1996.
LAMBERT, D.M. Strategic Logistics Management, Third Edition, Richard D.
Irwin Inc., Boston, 1993.
ALVES, Pedro Leonardo, tese sobre Implantação de Tecnologias
de Automação de Depósitos: Um Estudo de Caso,
COPPEAD/ UFRJ, 2000.
Pesquisa Benchmark - Serviço
ao Cliente, Centro de Estudos em Logística COPPEAD/ UFRJ.
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