| |
|
Gestão Estratégica do Transporte
Paulo
Fernando Fleury
O transporte
é o principal componente do sistema logístico. Sua importância
pode ser medida através de pelo menos três indicadores financeiros:
custos, faturamento, e lucro. O transporte representa, em média,
60% dos custos logísticos, 3,5% do faturamento, e em alguns casos,
mais que o dobro do lucro. Além disso, o transporte tem um papel
preponderante na qualidade dos serviços logísticos, pois
impacta diretamente o tempo de entrega, a confiabilidade e a segurança
dos produtos.
Importante ressaltar que os valores acima apresentados podem variar substancialmente,
de setor para setor, e de empresas para empresa. A participação
no faturamento, que em média é de 3,5%, pode variar, por
exemplo, de 0,8% no caso da indústria farmacêutica, a 7,1%
no caso da indústria de papel e celulose. Como regra geral, quanto
menor o valor agregado do produto, maior a participação
das despesas de transporte no faturamento da empresa.
Administrar o transporte significa tomar decisões sobre um amplo
conjunto de aspectos. Estas decisões podem ser classificadas em
dois grandes grupos; decisões estratégicas, e decisões
operacionais. As decisões estratégicas se caracterizam
pelos impactos de longo prazo, e se referem basicamente a aspectos estruturais.
As decisões operacionais são geralmente de curto prazo e
se referem às tarefas do dia a dia dos responsáveis pelo
transporte. São basicamente quatro as principais decisões
estratégicas no transporte: escolha de modais; decisões
sobre propriedade da frota; seleção e negociação
com transportadores; política de consolidação
de cargas. Dentre as principais decisões de curto prazo, podemos
destacar: planejamento de embarques; programação
de veículos; roteirização; auditoria
de fretes; e gerenciamento de avarias.
Por estar voltado para a gestão estratégica do transporte,
este artigo se concentrará na discussão das decisões
de longo prazo, que moldam a estrutura, e estabelecem limites relacionados
a custos e qualidade de serviços.
Escolha
de modais
São
basicamente cinco os modais de transporte de cargas; rodoviário,
ferroviário, aquaviário, dutoviário e aéreo.
Cada um possui custos e características operacionais próprias,
que os tornam mais adequados para certos tipos de operações
e produtos. Os critérios para escolha de modais devem sempre levar
em consideração aspectos de custos por um lado, e características
de serviços por outro. Em geral, quanto maior o desempenho em serviços,
maior tende a ser o custo do mesmo.
As diferenças de custo / preço entre os modais tendem a
ser substanciais.Tomando como base um transporte de carga fechada à
longa distância, verifica-se que, em média, os custos / preços
mais elevados são os do modal aéreo, seguido pelo rodoviário,
ferroviário, dutoviário e aquaviário, pela ordem.
A tabela 1 apresenta os preços médios cobrados pelos diferentes
modais nos Estados Unidos da América, e no Brasil, para cargas
fechadas de médias e longas distâncias, ou seja, distâncias
superiores a 500 quilômetros.
Verifica-se na tabela 1 que o preço do frete aéreo nos EUA
é mais de cinco vezes superior ao rodoviário, mais de vinte
vezes o do ferroviário, mais de 35 vezes o dutoviário, e
cerca de 64 vezes o aquaviário. O rodoviário, por seu turno,
custa em média quatro vezes mais do que o ferroviário, seis
vezes mais do que o dutoviário, e 11 vezes mais do que o aquaviário.
Figura 1: Preços Relativos dos Diferentes Modais
(em US$ por 1000 ton-quilômetro)

(*) Os dados do Brasil foram convertidos para US $ a uma taxa de
2,50 reais por dólar
|
No Brasil, os preços relativos dos diferentes modais possuem a
mesma ordenação encontrada nos EUA, ou seja, aéreo,
rodoviário, ferroviário, dutoviário e aquaviário.
No entanto, a ordem de grandeza das diferenças entre eles é
significativamente diferente, principalmente quando se considera o transporte
rodoviário. Enquanto nos EUA o preço do rodoviário
é 4,0 vezes superior ao do ferroviário, no Brasil esta diferença
é de apenas 1,7 vezes.
Uma outra maneira de examinar os preços relativos dos modais no
Brasil e nos EUA, é através da comparação
do valor do frete em cada país, para cada um dos modais existentes,
conforme indicado na última coluna da figura 1. Verifica-se aí
uma grande distorção no modal rodoviário. Enquanto
que para os modais aéreo, dutoviário e aquaviário,
os preços aqui são superiores aos praticados lá fora,
no caso rodoviário a figura se inverte. Ou, seja, o preço
aqui é um terço do preço praticado lá fora.
Isto nos leva a concluir que o preço do rodoviário está
exageradamente baixo, qualquer que seja a comparação efetuada.
Isto faz com que haja uma grande preferência pelo uso do rodoviário
no país, como veremos mais adiante.
A segunda dimensão a ser considerada na escolha do modal é
a qualidade dos serviços oferecidos. São cinco as dimensões
mais importantes, no que diz respeito às características
dos serviços oferecidos: velocidade; consistência;
capacitação; disponibilidade; e freqüência.
A figura 2 procura comparar os cinco modais em relação a
seu desempenho teórico, em cada uma das cinco dimensões
de serviço. Em termos de velocidade, o modal aéreo
é o mais veloz, seguido pelo rodoviário, ferroviário,
aquaviário e dutoviário. No entanto, considerando que a
velocidade deve levar em consideração o tempo gasto no porta
a porta, esta vantagem do aéreo só ocorre para distâncias
médias e grandes, devido aos tempos de coleta e entrega que precisam
ser computados. Ou seja, quanto maior a distância a ser percorrida,
maior a vantagem do aéreo em termos de velocidade. Por outro lado
é bom lembrar que, na prática, o tempo do rodoviário,
e do ferroviário, dependem fundamentalmente do estado de conservação
das vias, e do nível de congestionamento das mesmas. No Brasil,
o estado de conservação das vias rodoviárias e ferroviárias
está insatisfatório, e varia muito de região para
região, e de trecho para trecho, o que pode modificar em muito
o desempenho dos modais.
A consistência, que representa a capacidade de cumprir os
tempos previstos, tem o duto como a melhor opção. Por não
ser afetado pelas condições climáticas ou de congestionamentos,
o duto apresenta uma alta consistência, seguida na ordem pelo rodoviário,
ferroviário, aquaviário e aéreo. O baixo desempenho
do aéreo resulta de sua grande sensibilidade a questões
climáticas, e sua elevada preocupação com questões
de segurança, o que torna bastante comum atrasos nas saídas
e nas chegadas. Vale lembrar novamente, que assim como no caso da velocidade
o desempenho do rodoviário e do ferroviário dependem fortemente
do estado de conservação das vias e do nível de congestionamento
do trânsito.
Figura 2
Comparação dos modais em termos das dimensões
de serviço

|
A
dimensão capacitação está relacionada
à possibilidade de um determinado modal trabalhar com diferentes
volumes e variedades de produtos. Nesta dimensão, o destaque de
desempenho é o modal aquaviário, que praticamente não
tem limites sobre o tipo de produto que pode transportar, assim como do
volume, que pode atingir centenas de milhares de toneladas. O Duto e o
aéreo apresentam sérias restrições em relação
a esta dimensão. O duto é muito limitado em termos de produtos,
pois só trabalha com líquidos e gazes, e o aéreo
possui limitações em termos de volume e tipos de produtos.
A dimensão disponibilidade se refere ao número de
localidades onde o modal se encontra presente. Aqui, aparece a grande
vantagem do rodoviário, que quase não tem limites de onde
pode chegar. Teoricamente, o segundo em disponibilidade é o ferroviário,
mas isto depende da extensão da malha ferroviária em um
determinado país. Nos EUA, a malha ferroviária, com cerca
de 300 mil quilômetros de extensão, é sem dúvida
a segunda em disponibilidade. No Brasil nossa malha de apenas 29 mil quilômetros,
tem baixa disponibilidade fora das regiões Sul e Sudeste, o que
faz com que o modal aéreo ofereça maior disponibilidade
em muitas regiões. O modal aquaviário, embora ofereça
potencial de alta disponibilidade devido à nossa costa de oito
mil quilômetros, e nossos cinqüenta mil quilômetros de
rios navegáveis, apresenta, de fato, uma baixa disponibilidade,
função da escassez de infra-estrutura portuária,
de terminais, e de sinalização.
Quanto à freqüência, ou seja, o número
de vezes em que o modal pode ser utilizado em um dado horizonte de tempo,
o duto é o que apresenta o melhor desempenho. Por trabalhar 24
hs por dia, sete dias por semana, o duto pode ser acionado a qualquer
momento, desde que esteja disponível no local desejado. Seguem
pela ordem de desempenho, o rodoviário, ferroviário, aéreo
e hidroviário. A baixa freqüência do hidroviário
resulta dos grandes volumes envolvidos na operação, o que
o obriga a trabalhar com carga consolidada, diminuindo desta maneira a
freqüência. Apenas como exemplo, poderíamos citar o
caso da cabotagem no Brasil, cuja freqüência na direção
Sul - Nordeste é de pouco mais de uma partida por semana.
A combinação de preço/custo com o desempenho operacional
nestas cinco dimensões de serviços resulta na escolha do
modal mais adequado para uma data situação de origem - destino
e tipo de produto.
Por todas estas e outras razões, o grau de utilização
dos diferentes modais, varia de país para país, e de região
para região. A figura 3 permite comparar a participação
de mercado dos diferentes modais, no Brasil e nos EUA.
Figura 3
Matriz de transporte de cargas: Brasil versus EUA

|
| Se forem
excluídos os prudutos primários (minerais e agrícolas),
a participação do rodoviário sobe para: 92% nas
transferências, 89% na distribuição e 84% no suprimento |
Uma
rápida análise dos dados da figura 3 indica uma utilização
exagerada do modal rodoviário no Brasil, comparativamente aos EUA
(61% versus 26%). Por outro lado a utilização do modal ferroviário
é muito limitado quando comparado com o mesmos país (20%
versus 38%). Este forte predomínio do rodoviário deriva
do baixo preço praticado, função de várias
distorções do sistema de transportes brasileiro. O setor
rodoviário de cargas no Brasil se caracteriza por uma alta fragmentação
e excesso de oferta, resultado da inexistência de regulação,
que torna as barreiras de entrada praticamente nulas. Estes fatos levam
a práticas de concorrência predatória, que faz com
que os preços sejam inferiores ao custo real. O baixo preço
do rodoviário é uma das principais explicações
para a elevada participação de mercado desfrutada por este
modal no Brasil.
Esta dependência exagerada é motivo de preocupação
por pelo menos duas razões: o rodoviário é o segundo
menos eficiente de todos os modais, atrás apenas do aéreo,
tanto em termos de consumo de energia, quanto de poluição
e segurança; a falta de regulação e os baixos preços
vêm comprometendo a rentabilidade do setor, que depende cada vez
mais dos autônomos, cuja frota com idade média crescente,
já atingiu os 18 anos, e encontra-se à beira do colapso.
Esta situação já vem comprometendo a confiabilidade
e a segurança deste modal no Brasil, com implicações
graves sobre a disponibilidade futura deste modal. A busca por alternativas,
principalmente ferroviárias e aquaviárias é um dos
principais assuntos nas agendas dos executivos de logística.
Decisão
sobre propriedade da frota: própria ou terceiros?
A decisão
sobre ter frota própria, ou utilizar ativos de terceiros, é
a segunda mais importante decisão estratégica no transporte.
Neste caso, o processo decisório deve considerar além do
custo e da qualidade do serviço, a rentabilidade financeira das
alternativas. A grande ênfase dada atualmente pelas empresas, principalmente
as de grande porte, na rentabilidade sobre os investimentos dos acionistas,
tem sido um dos principais fatores a influenciar as empresas na direção
de utilizar terceiros nas suas operações de transporte.
Como a rentabilidade sobre investimentos é o resultado do lucro
sobre os investimentos do acionista, a maneira mais rápida de aumentar
a rentabilidade, é reduzir os investimentos dos acionistas, o que
pode ser feito através da utilização de ativos de
terceiros, no caso ativos de transportes.
Uma série de características da operação,
e do setor, também contribui para o processo decisório de
propriedade da frota. Dentre estas se destacam: o tamanho da operação;
a competência gerencial interna; a competência e competitividade
do setor; a existência de carga de retorno; e os modais a serem
utilizados.
Quanto maior o tamanho da operação de transporte,
maior a possibilidade de que a utilização de frota própria
seja mais atraente do que a utilização de terceiros. Em
primeiro lugar porque a atividade de transporte apresenta enormes economias
de escala. Quanto maior a operação, maior as oportunidades
de redução de custos. Segundo porque as operações
de transporte estão ficando cada vez mais sofisticadas em termos
de tecnologia e gestão. Ser pequeno significa ter pouca capacidade
de manter equipes especializadas e de fazer investimentos contínuos
em tecnologia, e em especial, tecnologias de informação.
A crescente sofisticação do transporte faz com que a capacitação
interna para planejar, operar e controlar, seja cada dia mais decisiva
para o desempenho da operação. Nada adianta ser grande e
ter recursos, se a organização não possui a capacitação
interna para gerir de forma eficiente sua operação de transporte,
e não está preparada para desenvolvê-la internamente.
Por outro lado é bom lembrar que a capacitação é
uma medida relativa, que necessita ser confrontada com as opções
externas à organização, ou seja, a competência
do setor de transporte na região onde opera a empresa contratante.
Existem situações onde uma empresa deseja terceirizar sua
operação de transportes, mas fica impossibilitada de fazê-lo,
pois tem dificuldades de encontrar um prestador de serviços capaz
de atendê-la ao custo e com a qualidade de serviços já
alcançados internamente. Ou seja, quanto maior a competência
interna, e menor o desenvolvimento do setor numa determinada região,
menor a chance de encontrar alguém capaz de substituir a operação
interna com vantagens de custo e qualidade.
Uma das melhores alternativas para redução do custo de transportes
é a captação de cargas de retorno. Em princípio,
empresas prestadoras de serviços de transporte, tem maiores chances
de captar cargas de retorno, do que uma empresa cujo negócio não
seja a prestação de serviços de transporte. Isto
porque uma empresa especializada possui inúmeros clientes espalhados
geograficamente, o que aumenta as chances de combinação
de fretes de ida e volta. No entanto, nos casos de embarcadores de grande
porte, com ampla atuação territorial, a combinação
de cargas de ida e volta pode se tornar viável, dispensando a necessidade
de um terceiro. Além disso, é sempre possível que
um embarcador busque uma outra empresa com fluxos invertidos de transporte,
a fim de estabelecer uma parceria, que permita o uso dos mesmos ativos
de transporte, via coordenação de embarques, a fim de maximizar
a utilização de cargas no retorno.
O modal utilizado também influencia a decisão de
propriedade da frota. Quanto mais intensivo em capital for o modal, como
por exemplo, ferrovia ou dutovia, maior a possibilidade de utilização
de um terceiro. Modais intensivos em capital dependem de escala para serem
eficientes, o que na maioria das vezes tornam inviáveis a um embarcador
operar tais modais. Já no caso de veículos rodoviários,
existe grande flexibilidade de volume, o que aumenta a atratividade de
frota própria.
No Brasil, existe uma forte tendência de utilização
de terceiros, com poucos investimentos em frota própria. Cerca
de 83% das 500 maiores empresas privadas no Brasil não possuem
frota própria. Mesmo nos casos onde isto não se verifica,
a tendência é combinar frota própria com frota de
terceiros. Cerca de 90% das empresas que possuem frota própria,
também utilizam frota de terceiros para completar sua capacidade.
Tal tendência é fortemente influenciada pelos baixos preços
cobrados pelos transportadores autônomos, o que torna muito baixa
a atratividade de investimentos em frota própria.
Seleção
e negociação com transportadores
Uma vez decidida
à utilização de terceiros, torna-se necessário
estabelecer critérios para seleção de transportadores.
São sete os principais critérios utilizados na seleção
dos prestadores de serviços de transporte: confiabilidade;
preço; flexibilidade operacional; flexibilidade
comercial, saúde financeira; qualidade do pessoal
operacional; e informações de desempenho.
O primeiro, e normalmente mais importante, critério para seleção
de um prestador de serviços de transporte tende a ser a confiabilidade,
ou seja, a capacidade de cumprir aquilo que foi combinado como, por exemplo,
prazos de entrega e coleta, disponibilidade de veículos, segurança,
preço, informações. Surpresa desagradável
é tudo que um embarcador quer evitar. No mundo do just-in-time
em que vivemos nos dias atuais, desvios no planejado podem resultar em
impactos substanciais na operação do destinatário.
Portanto, ter certeza de que o planejado vai ser cumprido, é um
critério fundamental na hora de selecionar um transportador.
O preço, como não poderia deixar de ser, tende a
ser o segundo critério mais importante. De fato, enquanto a confiabilidade
tende a ser um critério qualificador, ou seja, é uma condição
mínima necessária para um transportador ser pré-selecionado,
o preço tende a ser um critério classificador, ou seja,
dado que o critério confiabilidade foi atendido, aquele transportador
com menor preço tende a ser selecionado. Importante lembrar, no
entanto que, muitas vezes, critérios de desempenho são tão
críticos, como no caso de produtos perigosos, ou de altíssimo
valor agregado, que as questões de segurança pesam mais
do que simplesmente o preço do frete.
Flexibilidade, tanto comercial, quanto operacional, tem se tornado
um critério cada dia mais importante no processo de seleção
de transportadores. No mundo turbulento em que hoje vivemos, onde a segmentação
de clientes e mercados é cada vez mais utilizada, e a inovação
é uma constante, ter flexibilidade para adaptar a operação
e renegociar preços e contratos é uma necessidade básica
da maioria dos embarcadores. Questões como local e horários
de entrega, tipos de veículo e embalagem, níveis de serviço,
são algumas das dimensões importantes de flexibilidade valorizadas
pelos embarcadores.
A saúde financeira do prestador de serviço é
outro critério crescentemente utilizado na hora de selecionar uma
transportadora. A forte tendência por parte dos embarcadores, de
reduzir o número de transportadoras utilizadas, assim com de estabelecer
um relacionamento cooperativo de longo prazo, faz com que a saúde
financeira do fornecedor de serviços cresça de importância.
Nada pior do que investir tempo e recursos no desenvolvimento de um relacionamento
sob medida, para descobrir mais adiante que o parceiro não terá
condições de acompanhar suas necessidades, seja em termos
de capacidade de transporte, seja em termos de modernização
tecnológica ou gerencial.
Com a crescente sofisticação das operações
de transportes, tanto do ponto de vista tecnológico, quanto do
ponto de vista de serviços, a qualidade do pessoal operacional
passou a ter uma importância fundamental no desempenho dos transportadores.
Por qualidade do pessoal entenda-se educação formal, capacitação
técnica, e habilidade comportamental. Portanto, ao selecionar uma
transportadora, torna-se cada vez mais necessário conhecer e analisar
o perfil profissional do pessoal operacional.
O monitoramento contínuo das operações é uma
das principais características das empresas modernas que possuem
sistemas logísticos avançados. Ao contratar um terceiro
para executar suas operações de transportes, as empresas
correm o risco de perder contato com seu desempenho no campo. Para garantir
que isto não aconteça, torna-se necessário selecionar
um prestador de serviços com capacidade de medir o desempenho e
disponibilizar as informações para a empresa contratante.
Relatórios típicos que podem ser disponibilizados são,
por exemplo, o percentual de entregas efetuadas em até 24 horas,
48 horas, ou 72 horas, para cada classe de cliente, para cada cidade,
ou para cada região. Importante também é identificar
problemas ocorridos durante a operação de entrega, e as
causas destes problemas. Apenas como exemplo, poderíamos pensar
em um relatório mensal que indicasse o número de ocorrências
de tentativas frustradas de entrega, e as principais causas destas ocorrências,
como por exemplo, ausência do destinatário, ou endereço
não existente. Com isto torna-se possível eliminar as causas
dos problemas, evitando-se assim que os mesmos venham se repetir no futuro.
O processo de negociação deve ser visto como uma
tarefa contínua e estruturada, cujo objetivo é a melhoria
permanente, voltada para redução de custos e melhoria da
qualidade dos serviços. Para tanto, torna-se necessário
desenvolver um relacionamento cooperativo, com base na confiança
e intercâmbio sistemático de informações. Um
instrumento básico para o processo de cooperação
é a planilha de custos. Grande parte dos itens de custos, tanto
os fixos, quanto os variáveis, podem ser alterados ou controlados
através de um planejamento adequado. Vejamos o caso do transporte
rodoviário. A escolha do veículo tem influencia direta sobre
os custos de combustível, manutenção, depreciação,
capital e seguros. A utilização de veículos mais
potentes, e muitas vezes mais caros, acabam jogando para cima os custos
do transporte, desnecessariamente. Dado o tipo de carga, os volumes típicos
do pedidos, e as rotas a serem cobertas, torna-se possível escolher
o veículo mais adequado à operação, e que
gere o menor custo de transporte. O número de horas que o veículo
irá rodar por dia, também tem um impacto direto no custo
por tonelada quilômetro transportado. Quanto maior o número
de horas rodadas, menor o custo médio por tonelada quilômetro.Um
planejamento conjunto entre embarcador, destinatário e transportador
permite a maximização das horas trabalhadas por mês
ou por ano.
Outro fator que influencia diretamente o custo unitário do transporte
é o tempo gasto com as atividades de carregamento e descarregamento.
De novo, o planejamento conjunto, envolvendo embarcador, destinatário,
e transportadora, permite o planejamento adequado das tarefas de embarque
e desembarque, reduzindo desta forma o tempo parado, e, portanto o custo
unitário do transporte.
Dois outros mecanismos que permitem o aumento da eficiência do transporte,
e, portanto, seu custo, é o uso de tecnologias de informação,
como computador de bordo, GPS, e roteirizadores, e políticas inteligentes
de consolidação de cargas.
A consolidação de cargas, ou seja, buscar trabalhar
com grandes volumes, utilizando os maiores veículos possíveis,
a plena capacidade, é um dos principais mecanismos para reduzir
os custos de transporte. A estratégia mais simples para se consolidar
cargas é postergar os embarques para uma determinada rota, até
que haja carga suficiente para atingir a capacidade máxima do veículo
utilizado. O problema com esta estratégia, é que ela afeta
negativamente o serviço ao cliente, tanto no que diz respeito ao
prazo de entrega, quanto à consistência destes prazos. A
postergação da saída implica a não existência
de uma freqüência definida de saídas, tornando bastante
incerto os prazos de entrega, gerando atrasos e incertezas sobre a real
data de entrega.
A maneira inteligente de alcançar a consolidação
é através da montagem de uma rede de instalações
envolvendo terminais de cross-docking ou de transbordo, onde através
da coordenação entre veículos de grande porte, para
transferências entre terminais, e veículos de pequeno porte,
para coleta e entrega, torna-se possível alcançar consolidação,
sem prejudicar a qualidade de serviços medida pelos prazos de entrega
e por sua consistência.
Retorna
|