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Estágio
de Desenvolvimento dos Prestadores de Serviço Logístico
no Brasil
(janeiro 2001)
Objetivo
da Pesquisa:
A evolução
do setor de Prestadores de Serviços Logísticos está
ocorrendo de forma bastante rápida, motivada principalmente pela
crescente tendência de terceirização das atividades
logísticas nas empresas brasileiras. Esta evolução
traz como uma de suas principais conseqüências, o surgimento
de vários formatos de atuação destes provedores,
o que leva, em muitos casos, a uma grande desinformação
sobre a forma de atuação destas empresas e sobre o atual
estágio de desenvolvimento deste mercado.
Esta pesquisa
foi fortemente motivada pela escassez de informações a respeito
do mercado de Prestadores de Serviços Logísticos no Brasil.
Existem poucas iniciativas que visam disponibilizar informações
sobre este mercado. Isto gera uma falta de entendimento sobre os tipos
de provedores de serviços logísticos disponíveis
no mercado e suas diferenças fundamentais em termos de serviços
oferecidos, indústrias atendidas e cobertura geográfica.
O objetivo
desta pesquisa é, então, melhorar a compreensão deste
mercado tanto para os próprios Prestadores de Serviços Logísticos
como para empresas que contratam seus serviços.
Metodologia
e Amostra:
Este estudo
foi baseado em uma pesquisa abrangente sobre o mercado de prestadores
de serviços logísticos no Brasil conduzida ao longo dos
meses de dezembro de 2000 a fevereiro de 2001 pelo Centro de Estudos em
Logística / COPPEAD - UFRJ e pela Booz Allen & Hamilton do
Brasil.
Esta pesquisa
foi dividida em 3 fases: pesquisa exploratória, estudo de campo
com prestadores e estudo de campo com clientes.
A pesquisa
exploratória foi a parte mais abrangente do processo de coleta
de informações. Os prestadores de serviços logísticos
foram listados a partir de informações de revistas especializadas
no setor. Foram incluídos transportadores de carga expressa e foram
excluídos empresas que focam exclusivamente no mercado exterior.
Numa iniciativa
pioneira, a elaboração do questionário foi feita
em Excel e seu envio para as empresas, bem como o retorno das respostas
ocorreu por e-mail.
Foram enviados
135 questionários e 66 foram respondidos satisfatoriamente, resultando
em uma taxa de resposta de 49% - cerca de 3 vezes superior às taxas
normalmente obtidas em pesquisas deste gênero (15%).
Em geral,
o questionário foi respondido por mais de uma pessoa. Os respondentes
em sua maioria foram diretores ou gerentes de logística.
O estudo
de campo com prestadores de serviços logísticos buscou o
aprofundamento das questões tratadas no questionário. Foram
realizadas 12 entrevistas com parcela das empresas pertencentes à
pesquisa exploratória.
O estudo
de campo com clientes objetivou identificar gaps de percepção
entre clientes e prestadores de serviços logísticos. Foram
visitadas 4 empresas de setores industriais diferentes: Alimentos, Automobilístico,
Bebidas e Farmacêutico. As entrevistas foram conduzidas com gerentes
de logística ou de transporte destas empresas.
Representatividade
da Amostra
Participantes
da Pesquisa

*
A Exel participou apenas da segunda fase da pesquisa



As empresas respondentes foram divididas em três classes, a partir
de seu faturamento em 1999: menor que R$ 10 milhões (32%),entre
R$10-R$ 50 milhões (32%) e acima de R$50 milhões (36%).
O faturamento médio das empresas pesquisadas foi de R$45 milhões.
Empresas
de menor porte, com até 100 funcionários representaram 22%,
enquanto que empresa com 100 a 500 funcionários representaram 34%
e empresas com mais de 500 funcionários representaram 44% da amostra.
A média de funcionários por empresa foi de 634. Metade das
empresas possuem ISO 9002.
Existe forte
concentração na região Sudeste da central de operações
dos prestadores de serviços logísticos pertencentes à
amostra. O estado de São Paulo possui 71% das empresas, seguido
por: Minas Gerais (8%), Rio de Janeiro (6%), Rio Grande do Sul (6%) e
Paraná (4,5%).
Estruturação
das Principais Questões da Pesquisa:
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TÓPICO ABORDADO
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PRINCIPAIS QUESTÕES
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A. Origem das Atividades
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. Qual a origem das atividades dos prestadores de serviços
logísticos no Brasil?
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B. Clientes e Indústrias
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. Quais são os principais setores atendidos
pelos prestadores de serviços logísticos?
. Existe alguma tendência por parte dos prestadores
em focar em nichos específicos?
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C. Serviços Prestados
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. Qual o mix de serviços oferecidos?
. Qual é o nível de abrangência geográfica?
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D. Infra-estrutura de Transporte e Armazenagem
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. Qual o percentual de ativos próprios utilizados?
. Qual a intensidade que os prestadores alocam
ativos dedicados a Transporte e Armazenagem?
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E. Tecnologia
de Informação
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. Qual a importância da TI para os prestadores
de serviços logísticos?
. Quais são as principais tecnologias utilizadas?
.Qual o nível de investimentos realizado em
TI?
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F. Recursos Humanos
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. Qual a estrutura existente nos prestadores
de serviços logísticos para o desenvolvimento de projetos em Logística?
Quais são as estratégias para a estruturação
da área de projetos?
. Quais são as principais fontes de captação
de RH para os prestadores de serviços logísticos?
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G. Alianças Operacionais
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. Qual a intensidade que os prestadores de
serviços logísticos utilizam parcerias?
. Quais os principais motivadores?
. Quais os principais desafios?
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H. Relacionamento
com Clientes
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. Qual a forma de cobrança pelos serviços prestados?
. Qual o tempo de duração dos contratos?
. Existem indicadores de desempenho controlados?
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Resultados
Obtidos:
A. Origem das Atividades
A
maioria dos Prestadores de Serviços Logísticos se originou
de serviços logísticos básicos, ao longo do tempo
foram adicionando novos serviços à sua atividade original.
Cerca de
90% dos Prestadores de Serviços Logísticos pesquisados surgiram
de empresas que prestavam serviços básicos de transporte
e/ou armazenagem. Em sua maioria (67%), as empresas prestavam um único
tipo de serviço: transporte (52%) ou armazenagem (15%).
Algumas das
empresas ampliaram seu portfólio de atividades visando prestar
serviços de maior valor agregado. Entretanto, muitas ainda prestam
um serviço básico de transporte e/ou armazenagem.
Nos últimos
anos grandes operadores americanos e europeus entraram no mercado brasileiro
através de aquisições, joint-venture, iniciativas
próprias ou utilização de ativos de clientes. Algumas
destas empresas iniciaram suas atividades provendo serviços logísticos
para clientes que já faziam parte de sua carteira de clientes em
outro(s) país(es).
B. Clientes e Indústrias
Existe
grande diversidade de indústrias atendidas pelos Prestadores
de Serviços Logísticos.
Na pesquisa,
os respondentes indicaram quais eram os principais setores atendidos.
Dos 12 setores citados, os três mais citados somam cerca de 51%
das menções. As indústrias - Química &
Petroquímica, Alimentos e Autopeças & Transporte - possuem
ampla diversidade nas características de serviços contratados,
o que reflete níveis de complexidade logística bem diferenciados.
Segmentação das empresas atendidas por setores
C. Serviços Prestados
Os
serviços básicos de transporte e armazenagem predominam
no portfólio de serviços atualmente prestados.
Do conjunto
de serviços prestados para os 3 principais clientes, apenas o transporte
(suprimento, transferência e distribuição) e a armazenagem
foram citados por mais de 10% dos Prestadores de Serviços Logísticos.
Entretanto, algumas indústrias com uma complexidade logística
maior, tais como automobilística (autopeça e transporte)
e eletroeletrônica contratam serviços logísticos mais
sofisticados, como por exemplo: milkrun, entrega just-in-time e montagem
de kits.
Embora os
serviços básicos, transporte e armazenagem sejam predominantes
atualmente, os planos para o futuro apontam para uma oferta de serviços
mais sofisticados como: intermodalidade, processamento de pedidos e entrega
just-in-time.
Em geral,
os Prestadores de Serviços Logísticos são pouco pró-ativos
no que diz respeito à ampliação do escopo de serviços
prestados aos clientes já conquistados. Sendo que na percepção
dos clientes, as iniciativas de ampliação dos serviços
são praticamente inexistentes.
Serviços Prestados

A
atuação dos Prestadores de Serviços Logísticos
pesquisados está fortemente concentrada nas regiões Sudeste
e Sul.
São
Paulo é de longe o estado com maior oferta de serviços logísticos
(área de atuação), com 95% das empresas ofertando
serviços, seguido por Rio de Janeiro (79%), Paraná (74%),
Minas Gerais (71%) e Rio Grande do Sul (70%). Os estados de Pernambuco
e Bahia são os únicos fora do eixo Sudeste - Sul, que possuem
oferta significativa de Prestadores de Serviços Logísticos.
A grande
maioria dos Prestadores de Serviços Logísticos atua em mais
de duas regiões. Sendo que 30% das empresas operam no Mercosul.

D. Infra-estrutura de Transporte e Armazenagem
A
grande maioria dos Prestadores de Serviços Logísticos
possui ativos.
A maioria
dos Prestadores de Serviços Logísticos pesquisados possui
ativos em transporte e armazenagem. Dos pesquisados, 70% possui ativos
tanto em armazenagem, quanto em transporte. Sendo que 11% dos Prestadores
de Serviços Logísticos possui apenas ativos de transporte
e 14% só em armazenagem. Restando apenas 5% que afirmam não
possuir ativos.
Os principais
motivos da elevada incidência de empresas com ativos são:
- Em Armazenagem
- O mercado
brasileiro é bastante deficiente em disponibilidade de armazenagem
pública. Embora, algumas iniciativas comecem a surgir.
- Em Transporte
- Para
empresas que visam prestar um serviço de longo prazo, possuir
ativos em transporte é uma forma de garantir a qualidade e
confiabilidade do serviço prestado.
Os desafios
para um Prestador de Serviços Logísticos não baseado
em ativos podem ser resumidas em dois itens:
- Pequena
margem ganha apenas com o gerenciamento, principalmente quando a escala
não é grande.
- Necessidade
de possuir forte capacitação em tecnologia de informação,
o que exige pesados investimentos e profissionais especializados para
utilizá-las, que ainda são escassos no nosso mercado.
Mesmo com
81% das empresas pesquisadas possuindo ativos em transporte, a utilização
de agregados é uma prática amplamente difundida entre os
Prestadores de Serviços Logísticos.
Cerca de
97% adotam esta prática. A participação da frota
própria representa, em média 43% do total da frota, independentemente
do tamanho da empresa. Existe a tendência dos Prestadores de Serviços
Logísticos em utilizar uma maior parcela de frota própria
nos veículos leves (48%) e de agregados/autônomos nos veículos
de grande porte (62%).
Anteriormente, foi verificado que grande parte das empresas pesquisadas
possui ativos. Agora, será analisado qual o percentual destes ativos
são dedicados para clientes específicos.
A utilização
de ativos dedicados é um importante fator para a longevidade de
um relacionamento entre clientes e Prestadores de Serviços Logísticos.
Do resultado da pesquisa foi verificado que, dedicar ativos de armazenagem
é bem mais comum do que dedicar ativos de transporte. Por exemplo,
cerca de 42% dos prestadores pesquisados não dedicam ativos de
transporte. Por outro lado, apenas 12% declararam que não dedicam
seus armazéns a clientes específicos.

E. Tecnologia de Informação
Os
investimentos em Tecnologia da Informação tendem a crescer.
De uma forma geral, existem grandes oportunidades para os Prestadores
de Serviços Logísticos utilizarem TI para alavancar seus
negócios.
71% dos Prestadores
de Serviços Logísticos pesquisados afirmam que investirão
mais em tecnologia de informação (TI) em 2001 do que em
2000, com crescimento médio do investimento em cerca de 30%. Isto
indica claramente que o mercado reconhece TI como um dos principais drivers
para o desenvolvimento na prestação de serviços logísticos.
Os investimentos
em TI para 2001 deverão ser equivalentes a 4,7% do faturamento
do setor como um todo.
As empresas
de porte médio (entre R$ 10 e R$ 50 milhões) são
as que mais investem proporcionalmente ao faturamento em TI, com 7,02%.
Enquanto que os Prestadores de Serviços Logísticos maiores
em faturamento (acima de R$ 50 milhões) são os que mais
investem de forma absoluta, com investimento médio de R$ 5 milhões
para o ano de 2001. Embora 70% dos Prestadores de Serviços Logísticos
afirmem que disponibilizam informações da carga pela internet,
foi verificado que apenas empresas de carga expressa utilizam esta TI
em toda a operação. A maioria disponibiliza o status
da carga pela internet apenas para certos clientes.
Das tecnologias
sugeridas no questionário, a tecnologia com menor utilização
foi sistemas ERP, mostrando que as empresas pesquisadas ainda possuem
sistemas pouco integrados. Além disso, outro fator de oportunidade
está relacionado com a utilização de TMS (Transportation
Management System), com apenas um Prestador de Serviços Logísticos
citando sua utilização. Em um ambiente em que a maioria
das empresas está bastante focada em transporte, o uso desta ferramenta
pode trazer grandes benefícios para a operação.
A seguir
são apresentadas as principais tecnologias de informação
utilizadas pelos Prestadores de Serviços Logísticos.

F.
Recursos Humanos
A
principal fonte de recrutamento são outras empresas do setor.
A maioria dos Prestadores de Serviços Logísticos afirma
ter capacidade para desenvolver projetos logísticos
Cerca de
33% dos Prestadores de Serviços Logísticos pesquisados consideram
o desenvolvimento de projetos como sua mais importante atividade. Dos
Prestadores de Serviços Logísticos que não desenvolvem
projetos, 21% pretendem prestar esse tipo de serviço nos próximos
2 anos. Dentre os Prestadores de Serviços Logísticos de
origem internacional, todos, com uma única exceção,
consideram o desenvolvimento de projetos como principal atividade.
Na visão
dos clientes, existem poucos Prestadores de Serviços Logísticos
com capacitação para desenvolver e implementar projetos
logísticos que atendam suas necessidades. A pesquisa indicou que
os menores Prestadores de Serviços Logísticos, em faturamento,
recrutam mais, em termos percentuais, pessoal em outras empresas do setor
que os maiores Prestadores de Serviços Logísticos, que o
fazem mais em universidades e empresas de consultoria. Como a escassez
de recursos humanos é considerada uma das principais barreiras
ao desenvolvimento da atividade logística no Brasil, como poderemos
verificar mais adiante, a prática de recrutamento no próprio
setor tende a levar a um perigoso processo de endogenia.

G.
Alianças Operacionais
Cerca
de 80% das empresas utilizam algum tipo de parceria ou uma empresa coligada
na prestação de serviços logísticos.
O principal tipo de serviço prestado para Prestadores de Serviços
Logísticos que possuem empresas coligadas (44%) é transporte.
O processo
de parceria com a integração operacional e de sistemas,
ainda é pouco difundido no mercado brasileiro.
O principal
motivador para a realização de uma parceria é o complemento
de cobertura geográfica, seguido por complemento modal e potencialização
da carteira de clientes. Já os principais desafios são:
integração de planejamento operacional, adaptação
cultural e integração de sistemas de informação.
H. Relacionamento
com Clientes
Os
Prestadores de Serviços Logísticos comumente cobram por
seus serviços baseados em tabelas de preço.
Os relacionamentos com os clientes são duradouros.
A cobrança através de tabelas de preço representa,
em média 84%, do faturamento dos Prestadores de Serviços
Logísticos.
Outra forma
utilizada é baseada nos custos da operação. Embora
quase metade dos Prestadores de Serviços Logísticos utilize
esta forma de cobrança, ela representa, em média, apenas
11% da receita.
Uma forma
alternativa também identificada é baseada nos ganhos obtidos
com a operação. Cerca de 13% dos Prestadores de Serviços
Logísticos pesquisados afirmam utilizá-la, mas ainda representa
muito pouco no faturamento, cerca de 2%. Empresas de pequeno porte não
utilizam esta forma de cobrança.
A grande
maioria dos Prestadores de Serviços Logísticos pesquisados
possui contratos superiores a um ano.
-70% dos
Prestadores de Serviços Logísticos de grande porte possuem
contrato acima de 3 anos.
Há
uma forte correlação entre dedicação de ativos
e duração do contrato.
O percentual
ativos de transporte dedicados é superior ao percentual de ativos
de armazenagem, em contratos acima de 3 anos.
Apenas 30%
das empresas afirmam que 100% de seus contratos contemplam indicadores
de desempenho.
PRINCIPAIS
BARREIRAS PARA O DESENVOLVIMENTO DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS
NA BRASIL
Como a indústria
de Prestadores de Serviços Logísticos é nascente
no Brasil, esta pesquisa buscou obter a visão dos Prestadores de
Serviços Logísticos sobre as principais barreiras para o
desenvolvimento deste mercado.
As principais
barreiras citadas podem ser classificadas como: infra-estruturais, de
regulamentação, culturais, de capacitação
de recursos humanos e propriamente da evolução do conceito
de logística nas empresas brasileiras.

Questões
Fiscais
Questões
fiscais foram consideradas como a principal barreira para a prestação
de serviços logísticos no Brasil, independente da origem
e do tamanho do Prestador.
O Brasil
passa por um momento em que tramitam pelo Congresso Nacional várias
leis sobre a reforma tributária e fiscal. Uma das questões
que causa mais impacto para a logística é a engenharia
fiscal, principalmente no que diz respeito aos impostos cobrados pela
circulação de mercadorias e serviços.
Atualmente,
muitas decisões logísticas são tomadas em função
de um benefício fiscal. Por exemplo, os resultados de modelos
matemáticos de localização devem considerar todos
os impactos fiscais para efetivamente apontar para a melhor rede logística.
Nível
de Maturidade dos Clientes
O
Nível de maturidade dos clientes é uma questão
que precisa ser vista de forma bilateral.
70% dos
Prestadores de Serviços Logísticos atribuíram
o nível de maturidade dos clientes como uma barreira para prestação
de serviços logísticos no Brasil. Destes, 27% apontaram
esta barreira como a principal.
Este
resultado aponta para a preocupação dos Prestadores
de Serviços Logísticos na relação com
seus clientes, principalmente na capacidade destes clientes em explicitar
suas expectativas e necessidades, além do entendimento das
soluções propostas, possibilitando com isso que as soluções
tenham a aderência necessária e atinjam o resultado esperado.
Por outro
lado, os clientes pesquisados não identificam Prestadores de
Serviços Logísticos capazes de prover serviços
que atendam a totalidade de suas necessidades.
Em ambos
os casos, a questão está associada ao estágio
inicial de evolução do relacionamento entre clientes
e Prestadores de Serviços Logísticos.
Condição
das Estradas (incluindo roubo de carga)
Parte
significativa da malha rodoviária brasileira encontra-se em
mau estado.
O modal
rodoviário é o de maior representatividade no faturamento
dos Prestadores de Serviços Logísticos. Por este motivo,
as condições nas estradas (aí incluído
roubo de cargas) foi considerada como uma das principais barreiras.
-
Em pesquisa realizada pela Confederação Nacional de
Transporte (CNT), uma das instituições com grande representatividade
nas discussões sobre melhoria na infra-estrutura de transporte
no Brasil mostra que 78% das estradas brasileiras encontram-se em
estado deficiente ou em pior estado. Já o Departamento Nacional
de Estradas e Rodagens (DNER) aponta que 61% da malha encontra-se
em situação regular ou em pior estado. Estes dados justificam
plenamente a preocupação dos Prestadores de Serviços
Logísticos.
-
A utilização de sistemas GPS em gerenciamento de risco
é uma das saídas para Prestadores de Serviços
Logísticos. Com bastante freqüência, a utilização
destes equipamentos é termo obrigatório para a contratação
destas empresas por algumas indústrias.
-
Existe um movimento para utilização destes equipamentos
em outras aplicações da logística, como por exemplo,
na disponibilização do status da carga para os clientes.
-
Algumas soluções interessantes surgem para minimizar
os problemas com roubo. Por exemplo, um grande fabricante, aproveita
a escala de Prestadores de Serviços Logísticos para
transportar seus produtos de alto valor agregado juntamente com outros
produtos de menor valor agregado. Devido a sua escala, este provedor
pode efetuar entregas mais freqüentes e com isso, reduzir os
estoques avançados do cliente e também o risco com roubo.
Capacitação
de Recursos Humanos
70%
dos Prestadores de Serviços Logísticos consideraram a
capacitação dos recursos humanos como a barreira como
uma das mais importantes.
Um
dos principais fatores que tornam esta questão uma barreira é
a ausência de cursos específicos em logística nas
universidades. Uma forma do mercado cobrir esta forte demanda é
a oferta de cursos de curta duração e de cursos com 360
horas, chamados MBA, específicos em logística.
Poucas
empresas adotam a estratégia de buscar profissionais em massa
nas universidades e treiná-los em logística. Como foi
visto anteriormente, atualmente a maior fonte de captação
de recursos humanos para os Prestadores de Serviços Logísticos,
principalmente os menores, são empresas do mesmo setor.
MODELO
DE SEGMENTAÇÃO DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS
Para entender melhor as semelhanças e diferenças entre
as várias empresas, realizamos uma análise em 3 dimensões.
Os Provedores
de Serviços Logísticos não são homogêneos
com relação aos serviços oferecidos, área
geográfica e indústrias atendidas.
Para determinar
grupos com características similares, usamos o processo hierárquico
de análise de clusters com 3 dimensões principais de modo
a explicar diferentes posicionamentos:
-Complexidade
Logística da Indústria - Em função
do número de SKU's, Valor por Kg, participação
de embarques entre TL e LTL, e requisitos especiais de armazenagem e
manuseio.
-Sofisticação
dos Serviços Oferecidos - Em função do
mix e da complexidade dos serviços executados pelos provedores,
desde o transporte básico ou a armazenagem até o desenvolvimento
de soluções logísticas complexas e gerenciamento
logístico integrado.
-Cobertura
Geográfica - Em função das regiões
atendidas pelos provedores de serviços logísticos.

Fonte:
Pesquisa com Prestadores de Serviços Logísticos; Análise
BA&H
Provedores
Nacionais de Serviços Básicos
As empresas
desse segmento procuram alcançar excelência operacional nos
serviços básicos que oferecem, tanto em transportes, quanto
em armazenagem, e ainda, em um pequeno número de casos, em ambos.
Esse é um dos maiores segmentos do mercado, altamente fragmentado,
com uma ampla gama de empresas de diferentes tamanhos, cujas receitas
variam de milhares a centenas de milhões de reais.
As empresas
desse grupo geralmente começaram oferecendo apenas um serviço
básico, normalmente transporte. Originários, em geral, de
uma empresa regional, elas identificaram oportunidades de mercado e expandiram-se
geograficamente, passando a ter cobertura nacional, ou pelo menos atendendo
a uma grande parte do território nacional. Elas normalmente não
planejam oferecer serviços logísticos complexos, e cresceram
de forma lenta através de expansão interna. Normalmente,
essas companhias estabelecem alianças para aumentar sua cobertura
geográfica e obter ganho de escala, a espera de uma base de clientes
representativa antes de realizar investimentos significativos em novos
ativos.
Essas empresas são amplamente dependentes de suas bases de ativos,
e tem alta parcela de suas receitas provenientes de transporte rodoviário.
Seus modelos de negócios são baseados em serviços
básicos ofertados diretamente a clientes em indústrias que
não necessitem de serviços logísticos complexos,
ou a provedores logísticos que usam esses serviços como
parte de uma carteira ampla de serviços. Elas buscam a excelência
operacional, devido à competição entre os prestadores
de serviços logísticos básicos desse grupo ser prioritariamente
baseada em preço.
Seu principal desafio é oferecer um serviço de alto nível,
com ampla cobertura geográfica ao menor preço. Para alcançar
esse objetivo, as melhores empresas desse segmento tem realizado algumas
ações:
-A fim
de tornarem-se mais eficientes algumas empresas estão investindo
significativamente em Tecnologia de Informação (TI) visando
melhorar sua eficiência - como, por exemplo: rastreamento, roteirizadores,
e em sistemas de manutenção de veículos. Além
dessa tendência, os investimentos em TI visto como um percentual
de receitas é relativamente baixo quando comparado com empresas
de outros grupos, salvo poucas exceções.
-Essas
empresas estão aumentando as alianças para efetivamente
expandir seus serviços tanto em modais oferecidos, quanto em
cobertura geográfica.
Poucas empresas têm contratos assinados com seus clientes. O mais
comum é que a negociação seja baseada em tabela de
preços e que a contratação seja feita de forma spot
- o que não significa necessariamente um relacionamento de curto
prazo. Não há normalmente acordos baseados em metas de desempenho.
Nós vemos as companhias desse segmento voltadas a uma das duas
formas a seguir:
-Um subgrupo
de empresas que estão constantemente procurando melhorias em
seu nível de serviço, objetivando melhor servir a outros
prestadores de serviços logísticos e/ou a indústrias
que requeiram altos padrões de desempenho. Existe predominância
nesta classe de empresas que atuam com carga fracionada.
- Um subgrupo
de empresas que não estão focadas em aumentar o atual
nível de serviço, e irão provavelmente continuar
a servir as indústrias que não necessitem maiores níveis
de serviço, como, por exemplo, comodites agrícolas. Neste
caso predominam empresas que atuam com cargas consolidadas.
Provedores Regionais de Serviços Básicos
Esse é
o maior segmento do mercado, altamente fragmentado, e suas empresas têm
receitas variando entre alguns milhares a milhões de reais. Os
provedores normalmente focam em excelência operacional, assim como
as empresas do grupo anterior.
Da mesma forma, os provedores desse segmento também começaram
oferecendo apenas um serviço básico - seja transporte, seja
armazenagem. Algumas vezes, eles podem proporcionar um serviço
de maior valor agregado em uma pequena escala, geralmente com ativos dedicados.
Os mais comuns motivadores para sua cobertura regional são:
-Eles podem
servir uma indústria geograficamente concentrada.
-Eles podem
facilmente obter o frete de retorno em áreas com maior densidade
de clientes.
-Eles podem
obter benefícios fiscais específicos em determinadas regiões.
Seus modelos
de negócios são baseados em serviços básicos
oferecidos para indústrias ou para provedores logísticos
que usam seus serviços como uma parte de um portfólio maior.
Além dos serviços básicos oferecidos, essas empresas
podem atender indústrias com uma ampla gama de complexidade logística.
Seu principal desafio é oferecer um serviço de alta qualidade
com o preço mais baixo possível. Para competir com eficiência,
os líderes dentro desse segmento estão tomando alguns importantes
movimentos:
-Aumentando
o uso de alianças para efetivamente oferecer serviços
que incluem outros modais e que contemplem uma cobertura geográfica
mais ampla.
-Tornando-se
mais eficientes, através de significativos investimentos em Tecnologia
de Informação relacionados à eficiência operacional
- como rastreamento, roteirização, entre outras.
-Poucas
empresas têm assinado contratos com seus clientes, e a maioria
dos contratos assinados é relativo a serviços mais sofisticados
com dedicação de ativos. Normalmente negociam com base
em tabela de preços, e os contratos são em bases spot.
Não há acordos sobre metas de desempenho, exceto para
a pequena parte de serviços customizados.
Em nosso
ponto de vista, as empresas pertencentes a esse grupo irão procurar
aumentar seus níveis de eficiência, alavancando relacionamentos
com seus clientes através da customização de seus
serviços básicos às demandas dos clientes.
Integradores Logísticos Nacionais Incipientes (em desenvolvimento)
As empresas
desse grupo estão em processo de aumentar a quantidade e o valor
agregado de serviços oferecidos aos seus clientes. As empresas
desse segmento geralmente começaram oferecendo um serviço
básico, normalmente transporte, e adicionaram outros ao longo de
seu desenvolvimento.
Com origens
variadas, desde o desenvolvimento a partir de serviços básicos
até spin offs de grandes companhias, essas empresas estão
atualmente buscando aumentar seus serviços oferecidos. Seus modelos
de negócios são baseados na prestação de transportes,
armazenagem e alguns outros serviços de maior valor como: separação,
montagem de kits, gerenciamento de transporte multimodal, milk-run, e
gerenciamento de transporte. Algumas dessas empresas estão começando
a apresentar projetos logísticos para seus clientes. Elas estão
ainda muito reativas aos requerimentos dos clientes, principalmente no
que diz respeito a oferta de novos serviços. A urgência em
aumentar o mix de serviços, faz com que prometa, em algumas vezes,
serviços para os quais elas não estão completamente
preparadas para executar dentro dos padrões que seus clientes necessitam.
Isto pode comprometer sua imagem diante do mercado.
Investimentos
em Tecnologia de Informação ainda são modestos, representando
cerca de 2,5% das receitas dessas empresas, quando comparados com outros
segmentos que proporcionam mais do que serviços básicos.
Elas normalmente oferecem rastreamento, mas não on line, EDI e
WMS.
As empresas
desse grupo normalmente cobrem a maior parte do país, e está
tornando-se mais comum que suas operações também
atendam o Mercosul. A utilização de grandes carretas é
mais presente em empresas desse grupo do que no de outros grupos. Não
é possível dizer que esse segmento é caracterizado
pelo foco em algum nicho específico, uma vez que seus representantes
realizam serviços para várias indústrias, com diferentes
níveis de complexidade logística.
Esses provedores
de serviço geralmente mantêm relacionamentos de longo prazo
com seus clientes. Eles, normalmente, têm interação
formal através da assinatura de contratos que têm entre um
a três anos de duração. Normalmente, poucos clientes
representam um elevado percentual de seus negócios. Uma grande
parte desses contratos são baseados em tabelas de preço,
mas algumas políticas alternativas de preços, como, por
exemplo, comissões também são observadas.
No nosso
entendimento, muitas empresas desse grupo estão em processo de
ampliação de serviços com maior valor agregado. Para
ter sucesso, elas precisam buscar um processo contínuo de agregação
de serviços diferenciados e aumentar a integração
entre esses serviços, pois parece que estas empresas objetivam
tornar-se provedores de serviços logísticos integrados.
Essas empresas
terão, dessa forma, que superar os seguintes desafios:
-Qualificar
seus funcionários e organizar áreas específicas
para o desenvolvimento de soluções logísticas.
-Intensificar
investimentos em Tecnologia de Informação, focando em
sistemas capazes de integrar todas as operações. Identificando
qual é o melhor caminho para fazer isso, através da aquisição
de "pacotes" ou pelo desenvolvimento de softwares customizados.
-Buscar
alianças para aumentar a cobertura geográfica, a oferta
de serviços e eficiência, especialmente com empresas que
ofereçam transporte e capacidade de armazenagem.
Manter para
os novos serviços oferecidos o mesmo nível de qualidade
que os clientes estão acostumados em outros serviços. Essas
empresas normalmente são dependentes de poucos clientes e correr
o risco nessas relações pode levá-las a situações
problemáticas.
Integradores Logísticos Regionais Incipientes (em desenvolvimento)
Empresas
desse grupo, assim como as empresas em desenvolvimento com cobertura nacional,
estão em processo de aumentar a quantidade e o valor agregado dos
serviços oferecidos para seus clientes.
Seu mix de
serviços hoje é similar ao segmento com cobertura nacional.
Oferece ao mercado transporte com alguns tipos de serviços de maior
valor agregado, como, por exemplo: gerenciamento de transporte multimodal,
transporte just-in-time, milk-run, logística reversa para algumas
indústrias, gerenciamento de carga, armazenagem, acrescida de separação
e paletização para alguns clientes, e tem projetado soluções
logísticas completas para indústrias de média complexidade.
Seus investimentos em Tecnologia de Informação ainda são
maiores que os das empresas com o mesmo perfil e com cobertura nacional,
apesar possuir uma estrutura em Tecnologia de Informação
mais desenvolvida.
Essas empresas
normalmente atendem a região sudeste além de cobrir outra
região, algumas incluindo o Mercosul. A cobertura geográfica
mais limitada está mais intimamente ligada às indústrias
e aos clientes atendidos. A maioria de seus clientes tem complexidade
logística de média à alta, como, por exemplo, as
indústrias eletrônicas, mecânicas e de alimentos altamente
concentradas na região sudeste do país
O relacionamento
com seus clientes é um pouco mais maduro. Embora a maioria dos
sistemas de cobrança esteja baseada em tabelas de preços,
uma parte razoável é precificada em comissões, sendo
algumas em contratos de risco. As empresas deste grupo, além disso,
têm contratos assinados de mais de três anos com seus clientes.
Diferentemente das empresas de cobertura nacional, normalmente os maiores
clientes não representam uma parcela significativa de suas receitas,
demonstrando que essas empresas não são altamente dependentes
desses maiores clientes.
Essas empresas
terão, dessa forma, que superar os seguintes desafios:
-Qualificar
seus funcionários e organizar áreas específicas
para o desenvolvimento de soluções logísticas.
-Intensificar
investimentos em Tecnologia de Informação, focando em
sistemas capazes de integrar todas as operações. Identificar
qual é o melhor caminho para fazer isso, através da aquisição
de "pacotes", ou pelo desenvolvimento de softwares customizados.
-Buscar
alianças para aumentar a cobertura geográfica, a oferta
de serviços e eficiência, especialmente com empresas que
ofereçam transporte e capacidade de armazenagem.
-Manter
para os novos serviços oferecidos o mesmo nível de qualidade
que os clientes estão acostumados em outros serviços.
Essas empresas normalmente são dependentes de poucos clientes
e correr o risco nessas relações pode levá-las
a situações problemáticas.
As oportunidades
e os desafios praticamente são os mesmos que as empresas de cobertura
nacional. Um cuidado especial deve ser tomado com relação
à qualidade do serviço prestado, considerando que a maior
parte destas empresas atende a clientes com algum grau de complexidade
logística.
Provedores de Serviço Expresso
As empresas
pertencentes ao grupo de serviço expresso normalmente têm
uma enorme ênfase em Tecnologia de Informação e oferecem
elevada confiabilidade em seus serviços. Nos USA, alguns dos maiores
prestadores de serviços logísticos foram originados de empresas
que inicialmente eram focadas em serviços de courier.
A maioria
dos provedores desse segmento tem sua origem em companhias aéreas
ou em empresas de courier, as quais adicionaram serviços de maior
valor agregado às suas carteiras.
Estas empresas
geralmente proporcionam cobertura geográfica nacional, e para conseguir
essa cobertura, elas fazem uso dos serviços dos Correios para alcançar
as distâncias mais longínquas.
Seus modelos
de negócios estão baseados em transporte expresso, algumas
vezes combinado com algum tipo de serviço de alto valor agregado,
como separação, embalagem, etiquetagem, acompanhamento de
pedido, e rastreamento de carga. Essas empresas usam de maneira intensiva
Tecnologia de Informação, que devem ser aliadas ao treinamento
de pessoal, a fim de se traduzirem em serviços eficientes para
seus clientes.
A prática
de preços que prevalece é a de valores de transações
específicas baseadas em tabelas de preço. Apenas alguns
formatos são baseados em custo mais determinado incentivos de desempenho.
Esse segmento
está atualmente sob intensas transformações e diversas
fusões e aquisições estão acontecendo.
O boom do
comércio eletrônico trouxe para essas empresas um grande
número de oportunidades principalmente pela abertura de novos mercados.
A nova lei postal, que deve tornar-se efetiva em um futuro próximo,
deverá trazer novas oportunidades.
Os desafios
para essas empresas são freqüentemente relativos ao atendimento
dos gaps que surgiram por essas novas oportunidades:
-Oferecer
o mesmo nível de confiabilidade de serviço para todas
as regiões, considerando a baixa confiabilidade no tempo esperado
de chegada para regiões remotas e distantes.
-Separação de grandes quantidades de encomendas, dificultada
pela carência de centros de distribuição com capacidade
efetiva para separar os pacotes.
-Ganho
de escala operacional e densidade de entrega para aumentar a competitividade.
-Adaptar
suas operações para aumentar a amplitude de produtos movimentados,
como conseqüência do boom do comércio eletrônico.
-Resolver
novas questões de logística reversa derivadas do aumento
das compras virtuais.
-Responder
rapidamente às necessidades de mercado - por exemplo, a expansão
de rastreamento de cargas para todas as regiões.
Integradores Orientados ao Cliente em Evolução
As empresas
deste grupo podem oferecer uma ampla gama de serviços para seus
clientes. Essas companhias pretendem ser uma opção one-stop
shop para seus clientes e incluem na sua oferta serviços de alto
valor agregado. Este é o menor dos segmentos do mercado de serviços
logísticos brasileiro, se nos basearmos na receita total. A maioria
de seus poucos representantes, tem receitas superior a R$ 50 milhões.
Este segmento
é prioritariamente representado por provedores respaldados por
uma "marca" internacional, os quais adotaram diferentes estratégias
de entrada na país:
-Esforços
de expansão
-Aquisições/
joint venture
-Controle
das operações logísticas de clientes, incluindo
a aquisição de ativos do cliente
Esses provedores
ainda concentram suas operações brasileiras nas regiões
sudeste e sul. Alguns também atendem ao Mercosul. Sua atual cobertura
geográfica no Brasil é altamente ligada às indústrias
com as quais operam. Essas indústrias estão concentradas
na mais rica e desenvolvida região do país.
A expansão
global de prestadores de serviços logísticos parece se tornar
uma prática comum Os provedores são freqüentemente
pressionados por alguns grandes clientes para expandir para mercados externos
com o objetivo de atender ao suprimento internacional e suas atividades
de distribuição. A recompensa por partir para o exterior
com seus clientes em sua expansão global é geralmente a
alavancagem de contas internacionais. Caso não realizem isso, podem
colocar em risco sua conta doméstica.
O mix de
serviços varia de cliente a cliente. Geralmente esses provedores
de serviços desenvolvem uma solução logística,
que pode incluir serviços como armazenagem, transporte, separação,
paletização, preparação de kits, etc. Seu
modelo de negócios é baseado no desenvolvimento, implementação
e operação de soluções logística.
A implementação
e a operação requerem interação intensa com
seus clientes. A troca de informações é fundamental
para o estabelecimento de um ambiente produtivo. A importância da
Tecnologia de Informação nesse segmento não pode
ser subestimada. É mais inteligente usar informações
que permitam aumento no nível de serviço. Os sistemas mais
usados incluem WMS, TMS, ERP e rastreamento. A alavancagem de experiência
internacional e de sistemas também não são raros.
Não
há uma regra geral, nesse segmento, a respeito da propriedade de
ativos, especialmente com relação àqueles dedicados
à armazenagem. Podem ser observados espaços de propriedade
do prestador, assim como dos clientes e de terceiros. O espaço,
entretanto, é, normalmente, projetado e usado apenas para um propósito
específico.
Para ser
capaz de ser um provedor de "pacotes" completos de serviços
logísticos, alguns tem múltiplas alianças / parcerias
/ ou subcontratam outras empresas. As mais populares são empresas
envolvidas em transporte por caminhões, frete aéreo / operações
de courier, serviços aduaneiros e de legalizações,
além de empresas de desenvolvimento de softwares. Através
do desenvolvimento dessas alianças estratégicas, as empresas
de prestação de serviços logísticos estão
procurando não apenas expandir suas ofertas de serviços
e / ou de cobertura geográfica, mas também reduzir a necessidade
de investimentos.
Embora aparentemente
não estando focadas em nichos específicos, essas empresas
estão atendendo a um número restrito de indústrias,
sendo as indústrias automobilísticas e alimentos as mais
comuns, seguidas pelas de alta tecnologia / informática, papel
e bens de consumo. Indústrias do tipo commodities, por exemplo,
não entram no rol de potenciais clientes, uma vez que operam com
os menores custos possíveis e em alguns casos, têm escala
suficiente para operar seus sistemas logísticos.
O relacionamento com seus clientes, a maioria companhias multinacionais,
é usualmente formalizado por contratos de longo prazo, na maioria
das vezes 3 anos ou mais. Os elevados investimentos e alianças
necessárias para realizá-los requerem comprometimentos de
longo prazo de ambos os lados. A prática comercial que prevalece
é a de valores de serviços específicos, baseados
em tabelas de preços. Outros formatos de preços estão
começando a serem considerados por alguns provedores, afim de enviar
uma mensagem clara de que não vendem serviços específicos,
e sim soluções logísticas. Entre esses formatos estão
o de custos mais um incentivo de desempenho e acordos de divisão
nos ganhos obtidos.
É
importante observar que, muito freqüentemente, os custos de transações
específicas podem ser mais altos do que os cobrados por provedores
mais focados. O valor adicionado pelos "pacotes de soluções"
é um aumento de coordenação na execução
da cadeia de suprimentos, o qual pode reduzir o custo operacional total
ou aumentar os níveis de serviço. Muito raramente, é
possível alcançar simultaneamente reduções
de custos e melhorias nos níveis de serviço.
O mercado
proporciona muitas oportunidades, embora muitos desafios ainda devam ser
superados por essas companhias afim de que sejam capazes de beneficiarem-se
na integra desses benefícios:
-Os provedores
de serviços devem consistentemente operar sob altos padrões
de qualidade, fornecendo níveis de serviço acima das expectativas
dos clientes.
-Os provedores
de serviços devem ser capazes de recrutar, treinar e reter pessoas
qualificadas, tanto em funções administrativas e operacionais
quanto para o desenvolvimento de projetos.
-Barreiras
culturais devem ser superadas em ambos os lados, ou seja, tanto nos
prestadores quanto nos clientes, possibilitando um fluxo produtivo de
informações. Os prestadores de serviço ainda não
estão entregando o que prometeram, na visão de seus clientes.
Acreditamos,
entretanto, que as empresas desse grupo terão as maiores taxas
de crescimento entre todos os segmentos, dado o crescimento do profissionalismo
no mercado de logística, o qual irá aumentar a demanda por
serviços de alto valor agregado e mais complexos. Nós esperamos
que, no tempo devido, essas empresas superem seus desafios, aumentando
a capacidade e o nível de integração dos serviços
oferecidos, alcançando o ponto de serem capazes de cuidar de toda
a administração da cadeia de suprimento de seus clientes.
Equipe de Pesquisa
- Centro
de Estudos em Logística
- Booz-Allen & Hamilton
Esta pesquisa
foi realizada pelo Centro de Estudos em Logística em conjunto com
a consultoria Booz-Allen. Veja o artigo que foi gerado com os resultados
da pesquisa:
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