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Estoque:
Custo de Oportunidade e Impacto sobre os Indicadores Financeiros
Maurício Pimenta Lima, M.Sc.
1.
Introdução
Apesar
do processo de melhoria operacional pelo qual tem passado as empresas
de classe mundial com reduções significativas nos custos
de estoque, estes ainda continuam a ser considerados críticos
em muitas destas organizações. Os gerentes de logística
e de operações constantemente se deparam com a necessidade
de reduzir estoques, sem prejudicar o nível de serviço,
tarefa aparentemente impossível por contrariar o ensinamento
base da logística, relativo aos trade-offs entre os custos das
atividades e o nível de serviço.
O estoque se destaca como sendo um item alvo para redução
de custos, não apenas pela sua relevância dentro do custo
total frente à margem das empresas, mas principalmente, pelo
valor imobilizado nesta conta do ativo o que afeta diretamente o retorno
sobre o capital dos acionistas.
Outro fator importante para evidência do custo financeiro do estoque
é o mercado global dos últimos anos do século XX,
que foram marcados pelas taxas recordes de juros reais. No Brasil, a
situação tem sido ainda mais difícil, pois o governo
por inúmeras vezes vem recorrendo ao aumento da taxa básica
de juros, como forma de frear o consumo para impedir a volta da inflação.
No entanto, esta medida também aumenta os juros do mercado em
geral e torna o custo de estoque caro em comparação aos
países desenvolvidos.
Enquanto as altas taxas de juros pressionam para baixo os níveis
de estoque, os problemas relacionados às incertezas da demanda
e do fornecimento podem restringir as possibilidades de redução.
A diminuição não criteriosa do nível de
estoque também pode interferir negativamente na disponibilidade
de produtos, comprometendo as vendas da empresa.
Dentro deste contexto, este artigo irá abordar as principais
considerações relativas ao cálculo do custo financeiro
de estoque e do custo da venda perdida, os quais são conceitualmente
tratados como custos de oportunidade. Por fim, será analisado
o impacto dos níveis de estoque no modelo estratégico
de lucro que avalia o retorno sobre o capital dos acionistas.
2.
Custo financeiro de estoque
Antes de calcular o custo financeiro de estoque
é importante destacar que, por se tratar de um custo de oportunidade,
ele não está ligado a um desembolso e também não
aparece em nenhuma conta ou nota de pagamento.
2.1 custo de oportunidade
O conceito de custo de oportunidade se refere a uma possível
perda de rendimentos pela opção por uma determinada alternativa
em detrimento de outra. Seu cálculo pode ser feito em função
da diferença de resultado entre duas alternativas: a que de fato
se concretizou e a que teria se concretizado caso a opção
tivesse sido diferente. Para se analisar esta diferença é
preciso considerar as possíveis receitas e custos das duas alternativas.
Assim, o custo financeiro do estoque faz referência a um possível
rendimento que o capital imobilizado teria, caso fosse aplicado em algum
outro projeto da empresa. Neste caso, a aplicação em outro
projeto seria a alternativa à decisão tomada de investir
o capital em uma conta do ativo.
Para tornar o conceito mais claro pode-se imaginar um exemplo no qual
um pequeno comerciante, dono do imóvel da sua loja, deve decidir
se continua ou não com o seu negócio. É claro que
para este comércio valer a pena, o seu resultado mensal deve
ser superior a um possível aluguel do seu prédio, pois
em caso contrário, seria melhor fechar a loja e alugar o prédio.
Neste exemplo, o aluguel é visto como uma alternativa e, por
isto, o seu possível valor poderia ser considerado como um custo
de oportunidade da utilização do imóvel para o
seu negócio.
De maneira mais abrangente, se considera que o custo de oportunidade
de um ativo é calculado multiplicando-se o seu valor de mercado
pela taxa de oportunidade da empresa.
2.2 Taxa de oportunidade
Todo investimento gera um ativo podendo ser financiado, ou por terceiros
(tendo sua contrapartida no passivo), ou por acionistas (tendo sua contrapartida
no patrimônio líquido), ou por uma parcela de cada uma
destas contas. Assim, a taxa de oportunidade é a média
ponderada entre a taxa média de juros referente ao passivo (dívidas
e obrigações) e a taxa de retorno esperada dos acionistas
referente ao patrimônio líquido, sendo utilizado como ponderadores
as respectivas proporções destas contas sobre o ativo,
conforme pode ser visto na figura 1.
Figura 1
- exemplo do cálculo da taxa de oportunidade, considerando 60%
do ativo
sendo financiado pelo passivo e 40% pelo patrimônio líquido.
Outra
possibilidade, em vez de utilizar a taxa de oportunidade da empresa
para calcular o custo financeiro de estoque, é considerar a taxa
de rendimento de um possível investimento, no qual este capital
pudesse ser empregado, ou então, a taxa de juros de uma conta
de financiamento do passivo que pudesse ser abatida, caso este valor
não fosse imobilizado em estoque. Estas opções
são mais apropriadas em análises mais pontuais que envolvem
o conceito de custo marginal, em um horizonte de curto prazo.
2.3 O cálculo do custo financeiro de estoque
No caso de uma empresa que comercializa produtos acabados, o custo financeiro
de estoque pode ser calculado multiplicando-se o valor dos produtos
em estoque pela taxa de oportunidade da empresa independente do prazo
da decisão que se pretende tomar. Pois neste caso, o estoque
é valorado com base no preço de compra, o qual, na grande
maioria das vezes, é um custo totalmente variável. Assim,
em uma análise de custo marginal, o mesmo valor do bem poderia
não ser imobilizado, caso este não fosse comprado.
Já em uma empresa industrial o mesmo pode não acontecer
com relação aos produtos acabados, isto porque estes produtos
são valorados com base no custo do produto vendido (CPV) que
considera todos os custos industriais, tanto os custos variáveis,
como das matérias-primas, quanto os custos fixos, como os de
depreciação dos equipamentos produtivos. No entanto, ao
analisar uma decisão de curto prazo de produzir ou não
uma quantidade excedente para ser incorporada ao estoque, deve-se considerar
apenas os custos variáveis de produção, já
que os custos fixos ocorrem independentemente do volume de produção.
Como o custo de oportunidade está ligado a diferenças
entre a escolha de uma alternativa em detrimento de outra, é
preciso analisar qual seria a outra alternativa. No caso da empresa
industrial, a alternativa seria não produzir o excedente e não
imobilizar o capital. No entanto, como o custo fixo por definição
independe do volume produzido, uma quantidade menor acarretaria apenas
em um custo variável total menor, pois apenas este é proporcional
ao nível de atividade (ou seja, de produção). Assim,
o capital que deixaria de ser imobilizado corresponderia apenas à
parcela variável dos custos dos produtos não produzidos.
Desta forma, para as decisões de curto prazo o custo financeiro
deve considerar apenas os custos variáveis associados aos produtos,
e não o CPV que também incorpora os custos fixos, os quais,
no curto prazo ocorrem independentes ao volume de produção.
Já no longo prazo a divisão dos custos em fixos e variáveis
não faz muito sentido. Isto porque em um horizonte mais longo
de tempo, todos os custos podem se tornar variáveis pela alteração
da capacidade, com a compra ou venda de máquinas, ou mesmo, pela
a contratação ou demissão de mão-de-obra,
por exemplo.
2.4 Cuidados adicionais no cálculo do custo financeiro
Além de considerar o prazo da decisão, na hora de avaliar
quais custos devem ser contemplados no valor do estoque, outros dois
cuidados adicionais devem ser tomados com relação à
mensuração deste valor sobre o qual incidirá a
taxa de oportunidade.
O primeiro é relativo à adição da parcela
variável do custo de transporte ao custo do produto, que deve
ser feito na medida em que o produto é movimentado ao longo da
cadeia de suprimentos. Quando se utiliza terceiros, por exemplo, para
realização do transporte, o custo desta atividade normalmente
se torna totalmente variável e, portanto, pode ser integralmente
incorporado ao valor do bem. Assim, quanto mais próximo o estoque
estiver do consumidor, maior será o seu valor, e conseqüentemente,
maior será o seu custo de oportunidade.
O segundo cuidado é relativo aos produtos com prazo de validade
vencido, ou obsoletos, ou com algum tipo de avaria. Os bens, nestas
condições, devem ser lançados como perda (custo),
mas também abatidos da conta de estoques. Não faz sentido
considerar a remuneração de um ativo que não tenha
mais uso e não possa ser comercializado. Neste caso, o bem passaria
a ser um custo afundado, pois a empresa não conseguiria reaver
o seu valor independente de qualquer ação futura. Caso
o dano não levasse a perda total do bem, deveria ser abatido
da conta estoque apenas um valor parcial do produto, relativo à
avaria.
3. Custo
da Venda Perdida
A
perda de venda devido à falta de produto para atender a demanda
prejudica uma das principais dimensões do serviço logístico,
a disponibilidade. Entre a série de complicações
decorrentes da falta de produto pode-se destacar o resultado negativo
para marca e a perda de fidelidade dos clientes, que acabam recorrendo
a outras marcas e produtos substitutos. Este resultado poderia ser avaliado
como um possível custo da venda perdida, mas isto exigiria uma
parcela de arbítrio na sua mensuração. Uma maneira
conservadora de avaliar este custo, desconsiderando as questões
relativas à imagem da marca e a fidelidade do cliente, é
avaliar exclusivamente o prejuízo relativo a não venda
do produto pela sua indisponibilidade.
Voltando
ao conceito de custo de oportunidade, a alternativa à venda perdida
seria ter o produto e com isto realizar a venda.
Neste
caso, a empresa teria uma receita referente ao preço do item,
mas em compensação também incorreria em todos os
custos variáveis para disponibilizar o produto para venda. Esta
diferença entre o preço de venda e a parcela variável
dos custos de um produto é denominada margem de contribuição
unitária do produto (MCU). É importante notar que a MCU
difere do lucro unitário, uma vez que esta despreza todos os
custos fixos, considerados irrelevantes a este tipo de análise
por ocorrerem independentemente da realização da venda.
Assim, o custo de oportunidade unitário da venda perdida devido
à falta de um produto é igual à sua MCU, ainda
desconsiderando as questões relativas à falha do serviço
e repercussão na imagem da marca que podem ser avaliadas com
mais exatidão por outros indicadores de performance não
ligados a custos, como a freqüência da ruptura de estoque,
a disponibilidade média, o número de dias com stockout
etc.
4.
Relação entre o custo do excesso e o custo da falta
O custo do excesso considera os custos referentes à sobra de
uma unidade em estoque, por isto é equivalente ao custo de manter
um item em estoque. Já o custo da falta corresponde ao caso inverso,
sendo equivalente ao custo da venda perdida.
O trade-off entre o custo do excesso e o custo da falta é chave
para parametrização de qualquer modelo de gestão
de estoque, independente do método adotado. Quanto maior for
o custo de excesso de um produto em relação ao custo da
falta, menor deve ser o estoque de segurança para atender as
possíveis variações de vendas e falhas de suprimento
ou de produção. Em contrapartida, quanto menor for o custo
do excesso em relação ao custo da falta, maior deve ser
o estoque de segurança do produto para se prevenir das possíveis
incertezas. Como resultado desta relação à meta
de disponibilidade de produto deve variar de acordo com a relação
entre o custo unitário financeiro de estoque e a MCU do produto.
As indústrias com alta parcela de custos fixos e pequena parcela
de custos variáveis tem um custo do excesso baixo em relação
ao custo da falta, pois o custo do excesso a rigor deve ser calculado
com base na parcela variável dos custos dos produtos. Ao mesmo
tempo, quanto menor a parcela de custo variável maior tende a
ser a MCU, já que esta representa o preço menos os custos
variáveis e, portanto, maior o custo da falta. Indústrias
com alto custo fixo e baixo custo variável, como as siderúrgicas,
normalmente no curto prazo produzem a toda capacidade estocando o excedente
ou destinando-o a exportação, pois o custo do excesso
se torna bastante baixo no curto prazo.
Ao comparar as empresas industriais com o varejo, ou com os atacadistas,
ou com os distribuidores percebe-se que nas indústrias de forma
geral os custos fixos assumem uma parcela significativa do CPV em detrimento
da parcela de custo variável. Já no varejo, assim como
nos atacados e distribuidores, a situação é bastante
diferente, pois o CMV (custo da mercadoria vendida) é normalmente
quase todo composto por custos variáveis.
Assim as empresas mais da ponta da cadeia de suprimentos, próximas
ao consumidor, como os atacadistas, distribuidores e varejistas tendem
a ter um custo do excesso, bastante expressivo em relação
ao custo da falta, quando comparado às indústrias.
Para tornar este conceito mais claro, pode-se recorrer a um exemplo
hipotético no qual uma indústria e um varejo comercializam
entre si apenas um produto. Supondo que o custo unitário da fábrica
fosse de R$10,00 (sendo R$ 6,00 referente aos custos fixos e R$ 4,00
referente aos custos variáveis) e esta vendesse o produto ao
varejo por R$ 12,00 que, por sua vez, vendesse ao consumidor por R$
14,00. Considerando uma taxa de oportunidade de capital de 2,5% a.m.
para ambas as empresas e que o excesso de estoque pudesse ser vendido
apenas no mês seguinte, ter-se-ia os seguintes resultados.
-
Na
indústria
Custo da falta = 12,00 - 4,00 = R$ 8,00
Custo do excesso = 4,00*0,025 = R$ 0,10
O custo da falta seria 80 vezes maior que o custo do excesso
-
No
varejo
Custo da falta = 14,00 - 12,00 = R$ 2,00
Custo do excesso = 12,00 x 0,025 = R$ 0,30
O custo da falta, neste caso, seria cerca de 6,6 vezes maior que o custo
do excesso, embora em termos absolutos esta diferença seja significativa,
em termos relativos ela seria 12 vezes menor que na indústria.
A grande diferença na relação entre os custos de
oportunidade do estoque - excesso e falta - nos diferentes elos da cadeia
de suprimento têm uma influência direta na política
de estoque de cada uma destas empresas. As indústrias normalmente
têm a sua produção mais voltada para estoque, admitindo
um estoque de segurança que cubra parte das suas incertezas,
viabilizando uma alta disponibilidade. Em contrapartida, o varejo opera
com um estoque de segurança na maioria das vezes menor, não
apenas por causa da maior preocupação com alto giro -
obtido através do baixo nível de estoque -, como também
pela menor importância dada às eventuais faltas de produto.
Mesmo porque, o varejo tem uma maior velocidade de resposta para repor
os itens em stockout.
A tendência de centralização dos estoques do varejo
que reduzem o efeito da variabilidade da demanda aliado aos programas
de reposição contínua tem permitido uma redução
significativa nos níveis de estoque. Além disto, a alta
disponibilidade de produtos da indústria mais preocupada com
a disponibilidade também ajuda o ressuprimento do varejo, evitando
a falta de produtos.
É claro que alguns produtos importantes de grandes marcas servem
de "chamariz" para o varejo, além disto, a falta destes
itens pode implicar na perda da fidelidade de clientes por parte do
varejo. Assim, diante desta situação a dimensão
da disponibilidade ganha uma maior importância frente ao custo
de estoque.
5.
O impacto do estoque no modelo estratégico de lucro
Cada
vez mais os indicadores financeiros estão ganhando importância
no gerenciamento das empresas. A restrição de capital
para novos investimentos faz com que as empresas tenham que maximizar
o retorno do capital empregado. Para isto, é necessário
gerar o máximo possível de resultado com o mínimo
possível de capital. Do ponto de vista operacional, isto é
equivalente a maximizar o lucro e ao mesmo tempo minimizar os ativos.
Assim, a idéia de desmobilizar ativos tem ganhado força
dentro das empresas.
Para isto, algumas práticas tornaram-se comuns ao longo dos últimos
anos, como por exemplo:
-
Vender
ativos fixos, como prédios e fazer opção por
alugá-los;
-
Terceirizar
atividades intensivas na utilização de ativos que não
façam parte do core business da companhia;
-
Optar
por leasing ou aluguel de meios de produção;
-
Reduzir
os níveis de estoques, conseqüentemente diminuindo esta
conta do ativo.
A
diminuição do nível de estoque é, pelo menos
aparentemente, entre os tópicos citados, a maneira mais fácil
e rápida de se reduzir os ativos. Além disto, no mais
longo prazo, quando as outras contas do ativo conseguem ser reduzidas,
a conta de estoque deve decrescer pelo menos na mesma proporção
das demais. Caso contrário ela se torna mais representativa no
ativo total, deixando o retorno sobre o patrimônio líquido
mais sensível à variação na conta estoque,
forçando, ainda mais, a sua redução.
O modelo estratégico de lucro permite avaliar a relação
entre o estoque e os indicadores financeiros. Este modelo é utilizado
para o cálculo do retorno sobre o patrimônio liquido (RSPL),
que representa o retorno sobre o capital do acionista. O RSPL é
resultado do retorno sobre ativo (RSA) multiplicado pela alavancagem
financeira da empresa. Este modelo é geralmente utilizado para
gerar cenários e testar análises de sensibilidade do impacto
da variação das contas do ativo, como o estoque, nos indicadores
de retorno, os quais tornaram-se os mais importantes mensuradores de
performance das grandes empresas.
Com isto, a gestão de estoque passou a ser analisada não
apenas pelo seu resultado de custos mas principalmente pelo impacto
financeiro, pois o estoque é um ativo e por consequência
a sua variação acaba afetando o RSA e conseqüentemente
o RSPL.
As figuras 2a e 2b ilustram como o modelo estratégico de lucro
pode ser utilizado para avaliar o impacto de uma redução
dos estoques. O exemplo da figura 2a considera dados de uma empresa
fictícia com faturamento anual de R$ 2 bilhões, patrimônio
liquido de R$ 0,5 bilhões, ativo total de R$ 1 bilhão,
dos quais R$ 400 milhões são relativos ao estoque e lucro
de líquido de R$ 100 milhões. Se esta mesma empresa conseguisse
reduzir em 25% o nível estoque, como é mostrado na figura
3b, o retorno sobre o RSPL passaria de 20% para 22,2%, incremento significativo
do ponto de vista do acionista. Outra possibilidade seria considerar
que a redução da conta estoque do ativo poderia ser utilizada
para financiar um outro projeto da empresa que poderia estar aumentando
as vendas ou diminuindo seus custos.

Figura 2a:
Exemplo do modelo estratégico de lucro aplicado a uma empresa
fictícia.
Figura 2b:
Exemplo do modelo estratégico de lucro aplicado a uma empresa
fictícia,
considerando uma redução de 25% nos níveis de estoque.
6. Conclusão
Uma das
principais funções dos diretores e gerentes de logística
é conciliar o interesse da área financeira de reduzir
estoques para minimizar custos e maximizar o retorno com o interesse
da área comercial de maximizar a disponibilidade de produto.
Muitos programas e práticas gerenciais foram e continuam a ser
desenvolvidos e implementados para reduzir os níveis de estoque
sem comprometer o nível de serviço. No entanto, enquanto
houver estoque, continuará existindo a necessidade de mensurar
o seu custo e avaliar o seu trade-off com a disponibilidade de produto.
Dentre os cuidados que devem ser tomados ao se calcular o custo financeiro
de estoque destacam-se:
-
Considerar
que este é um custo de oportunidade que incide sobre o custo
total dos produtos em estoque em análises de longo prazo, e
apenas sobre a parcela variável dos custos no curto prazo;
-
Lembrar
que o custo financeiro de estoque não deve incidir sobre os
produtos com prazo de validade vencido, obsoletos ou com danos que
impeçam seu uso ou comercialização;
-
Incluir
possíveis custos variáveis agregados ao longo da cadeia
de suprimento, como os custos de transportes.
Por
fim, vale destacar que o conhecimento base dos principais conceitos
de custos é de fundamental importância tanto para aplicação
de uma metodologia de custeio dos estoques quanto para utilização
destas informações de custos nas decisões relativas
à gestão de estoque e ao planejamento da demanda. Por
sua vez, a visão financeira da influência do estoque no
retorno sobre o patrimônio líquido também é
importante para se entender o estoque na perspectiva dos acionistas
e da alta administração.
-
BOWERSOX,
D. J., CLOSS, D. J., 1996, Logistical Management: the integrated supply
chain process. New York: McGraw Hill.
-
LAMBERT,
D.M., STOCK, J. R., Strategic Logistics Management, Third Edition,
Richard D. Irwin Inc., Boston, 1993.
-
MARTIN
Christopher, Integrating Logistics Strategy in the Corporate Financial
Plan, em J. F.Robenson (eds), The Logistics Handbook, capítulo
11.
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