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Serviço de Distribuição Física como Fator Determinante
no Processo de Decisão de Compra do Comércio Supermercadista
(parte 1) Cesar Lavalle Introdução
Ao completar-se
10 anos de coleta de dados e de análise evolutiva dos resultados
da pesquisa Benchmark - Serviço ao Cliente é possível
perceber, cada vez melhor, como as condições que cercam
o meio competitivo afetam o relacionamento entre os agentes econômicos.
O ciclo
de crescimento da economia, iniciado em 1994 em razão do plano
de estabilização da moeda, propiciou um aumento vigoroso
e repentino de poder aquisitivo da população. No entanto,
este ciclo virtuoso já se mostrava esgotado em ao final de 1997.
A Figura
1 apresenta a lógica do fluxo físico de bens entre a indústria
e o consumidor, que pode ser feito diretamente como no caso de lojas
virtuais, via internet; através de atacadista; ou por meio de
rede varejista. Este último caso consiste no objeto da pesquisa
realizada.
A Tabela
2 indica que a partir de 1998 houve uma perda de produtividade do comércio
varejista. Entre 1998 e 2002 observou-se queda de 21,69% na produtividade
da área; de 9,04% na produtividade por funcionário; e
de 21,62% na produtividade por check-out.
Observa-se
que o serviço ao cliente é a variável que apresentou o maior
crescimento em importância relativa, quando considerado todo o período
da pesquisa. Entre 1994 e 2003, o serviço de distribuição física cresceu
em 38,9%, suplantando a posição da promoção e propaganda em 1995.
Neste intervalo de tempo, a importância relativa do serviço ao cliente
cresceu de 14,4% para 20,0%, ou 5,6% pontos percentuais. A
partir da Figura 2, pode-se constatar que o aumento de importância do
serviço de distribuição física, no período de 1994 a 2003, ocorreu em
dois ciclos de crescimento distintos entre si. Num primeiro momento,
entre 1994 e 1997, o serviço ao cliente foi valorizado, de 14,4%
para 18,7% em importância relativa, como meio de se obter eficiência
operacional no processo de distribuição física para compensar as perdas
de ganhos inflacionários no período, que fundamentalmente sustentavam
os negócios, conforme mencionado anteriormente. O
crescimento de consumo observado naquele momento, em razão do aumento
da renda do trabalhador, também teve papel relevante na valorização
do serviço ao cliente. A capacidade existente de distribuição
da indústria não suportou o aumento de demanda por parte do comércio,
notadamente entre 1994 e 1995, contribuindo para o aumento de insatisfeitos
com o serviço prestado. Evidências para este fato serão apresentadas
na segunda parte deste artigo. Em
1998, a importância do serviço ao cliente recuou para 16,4%,
ano em que o comércio varejista atingiu o maior nível de crescimento
de faturamento (ver Tabela 1) e de produtividade desde 1995 (ver Tabela
2). Aparentemente, a pressão por serviço cedeu na medida em que o comércio
apresentava seus melhores resultados. Em
2000, o serviço ao cliente ganhou novo impulso como resultado
de esforços para mitigar a forte queda de produtividade do setor varejista.
Desta feita, a forte perda de 5,5% de poder aquisitivo do consumidor
em 1999 foi decisiva para que o comércio voltasse a dar, mais uma vez,
crescente importância ao serviço ao cliente. A valorização dos
serviços de distribuição foi motivada pela busca por melhorias dos resultados
dos negócios, por meio de redução de custos operacionais. Neste período
observa-se uma mudança de patamar na importância do serviço ao cliente:
de 16,9% em 1999 para 19,2% em 2000, chegando a 20,0% em 2003. Em
ambos os casos, o consumidor teve papel preponderante na medida em que
este foi quem determinou o padrão de consumo que, por sua vez, influenciou
as relações transacionais entre o varejo e a indústria de bens de consumo. Observam-se,
portanto, evidências de uma relação direta entre poder aquisitivo do
trabalhador e padrão de consumo do mesmo, que por seu turno condiciona
as relações entre comércio e industria. De
fato, a demanda do comércio por menores custos de transação está por
trás da crescente importância do serviço ao cliente imputada
pelo comércio ao longo do período pesquisado. Em
análise posterior (incluída parte 2 do artigo), observar-se-á que, via
de regra, o varejo tem estado cada vez mais insatisfeito com o serviço
de distribuição física da indústria de bens de consumo. Isto acontece
muitas vezes em função do efeito combinado do crescimento do nível de
exigência do comércio por melhores serviços e da piora de desempenho
da indústria. Cabe
lembrar que a melhoria do nível de serviço implica em ganhos de eficiência
do processo de distribuição física, seja em termos de redução de estoque,
ao minimizar o tempo de entrega ou dos atrasos, seja pela maior disponibilidade
de produto ao consumidor para evitar faltas (stock-outs). Ao
analisar o comportamento das
demais variáveis de decisão de compra observa-se significativa consistência
com relação ao que aconteceu com o serviço ao cliente ao longo
do período de pesquisa. Em
1999, o produto que chegara ao seu pico em termos de importância
relativa, cedeu espaço para as outras variáveis de decisão de compra
- de 30,8% em 1994 para 36,9% em 1999, regredindo para 27,1% em 2003,
com expectativa de chegar a 26,5% em 2005. Em 2001, o produto
deixou de ser considerada a variável mais importante, com o preço
assumindo esta posição. O peso do preço na decisão de compras do comércio seguiu trajetória inversa ao nível de renda do trabalhador. No período entre 1994 e 1997, durante o ciclo de crescimento econômico, enquanto o rendimento real do trabalhador aumentava em cerca de 28,9%, o comércio dava importância decrescente ao preço em suas compras junto à indústria. Neste período, o preço perdeu cerca de 19,7% em importância - de 38,5% em 1994 para 30,9% em 1997.
A
partir de 1997, observa-se, via de regra, que o preço ganhou
consistentemente em importância no processo de decisão de compras do
comércio, na medida em que o poder aquisitivo do consumidor foi sendo
corroído. Enquanto a renda caia 23,7%, o preço
foi sendo valorizado em 13,3% - de 30,9% em 1997 para 35,5% em 2003,
podendo alcançar 35,8% em 2005. Com
relação a variável promoção e propaganda, notadamente a partir
de 2000, esta apresenta uma tendência de crescimento de importância
nas relações comerciais entre varejo e indústria. Observa-se que a promoção
e propaganda ganha em importância relativa na medida em que o processo
de decisão de compras passa a ser centrado principalmente com base no
preço. Entre 2000 e 2003, enquanto a importância relativa do
preço variou de 32,6% para 35,0%, a promoção e propaganda
cresceu de 14,2% para 18%. Cabe
ressaltar que 1999 representa um marco em que as mudanças de trajetória
das variáveis produto, preço e serviço ao cliente
são claramente percebidas, como
resultado dos impactos da crise cambial na economia do ano anterior.
A partir de então, como conseqüência, o produto cedeu significativo
espaço para o preço, o serviço ao cliente e para a promoção
e propaganda. Considerações
Finais Em
suma, constata-se que comércio responde às necessidades do consumidor,
traduzindo-as em termos de requisitos de compras junto à indústria.
Nesse sentido, na medida em que o poder aquisitivo do consumidor decresce,
o preço ganha em importância no processo de decisão de compras
do comércio junto à indústria, enquanto, ao mesmo tempo, o produto
perde em relevância. Por outro lado, o serviço ao cliente ganha
em importância quando existem pressões em termos econômicos, seja para
recompor rentabilidade, seja para suplantar a concorrência em termos
de nível de serviço. Constata-se,
portanto, o potencial do serviço de distribuição física como meio para
alavancar o nível de competitividade
de cadeias de suprimento. Uma vez
verificado o quanto o serviço de distribuição física é fator
determinante do processo de decisão de compras do comércio, a pesquisa
procura avaliar: Qual o nível de satisfação do comércio com o serviço
de distribuição da indústria de bens de consumo? As empresas detentoras
das melhores práticas têm seu desempenho diferenciado pelo comércio
varejista? - Assuntos da segunda parte deste artigo.
[1] A taxa de 29,19%, do primeiro semestre de 1995 com relação ao mesmo período de 1994, é um indicador de que o as vendas dos supermercados tiveram crescimento significativo no segundo semestre de 1994. As informações disponíveis pela Abras (Associação Brasileira de Supermercados) não permitem calcular a taxa de crescimento das vendas em 1994 com relação ao ano anterior. [2] Fonte: Conjuntura Econômica e Abras [3] Solicitou-se aos entrevistados que distribuíssem 100 pontos entre as quatro variáveis de decisão de compra consideradas (produto, preço, serviço ao cliente, promoção e propaganda). Uma maior pontuação indica maior relevância. Com o objetivo de manter a compatibilidade dos dados, a análise que segue só considera São Paulo e Rio de Janeiro, pois estes são os únicos mercados que foram objetos de pesquisa durante as 9 etapas da mesma, entre 1994 e 2003. Os mercados de Recife, Curitiba e Belo Horizonte foram adicionados na segunda, terceira e quarta fase da pesquisa, respectivamente. [4] A variável serviço ao cliente é o resultado do processo de distribuição física da indústria para o comércio varejista. |
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