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Software
de Supply Chain Management: análise do processo de implantação
por empresas brasileiras
Rodrigo
Arozo
Dando
continuidade ao artigo apresentado na edição anterior, serão
apresentados alguns resultados da pesquisa realizada pelo Centro de Estudos
em Logística/COPPEAD acerca do atual estágio das implantações
de softwares de Supply Chain Management (SCM) no Brasil. O objetivo da
pesquisa foi o de analisar os processos de implantação e
identificar os aspectos que podem auxiliar ou não no êxito
destas implantações.
A pesquisa foi realizada através de entrevistas presenciais com
os responsáveis pela implantação dos módulos
de supply chain em suas empresas. Um total de 62 empresas foi contactado,
sendo que destas apenas 13 possuíam pelo menos algum dos sistemas
considerados na pesquisa. As entrevistas e posterior análise foram
realizadas com base nestas 13 empresas.
Vale ressaltar que, dentro da metodologia utilizada na pesquisa, foram
considerados como fornecedores de sistemas de SCM apenas aqueles principais:
SAP, Manugistics, I2, CAPS-BAAN e Synquest. Esta delimitação
foi definida com base na premissa que, apesar de existirem inúmeros
sistemas com funcionalidades semelhantes, apenas estes possuem grande
parte dos módulos que compõe um sistema abrangente.
O artigo está dividido em três partes associadas ao modelo
teórico de implantação apresentado no artigo anterior.
Inicialmente é analisado o processo de escolha da ferramenta, posteriormente
analisa-se o processo de implantação e, finalizando o artigo,
são levantados os níveis de satisfação com
os sistemas.
Escolha
da ferramenta
Nesta etapa da pesquisa buscou-se identificar e analisar o processo pelo
qual, uma vez definida a necessidade de uma ferramenta de SCM, se escolhe
o fornecedor. Desta forma, foram abordados três aspectos: o grau
de formalização do processo de escolha, os critérios
utilizados para a definição e os fornecedores avaliados.
Estes três aspectos serão discutidos a seguir.
Processo de seleção
Com relação a este aspecto, procurou-se avaliar o grau
de formalização do processo e como esta formalização
pode ter afetado o resultado da implantação. Foi considerado
como formalizado um processo no qual as necessidades das empresas estavam
claramente definidas, em que foi realizada a avaliação
de mais de um fornecedor, e finalmente, no qual a escolha foi baseada
em critérios tangíveis.
Apesar de, a princípio, as possibilidades da seleção
ter se dado através de um processo formalizado ou por um informal,
as entrevistas apontaram para a necessidade de criação
de uma terceira possibilidade: a de licença mundial. A licença
mundial é caracterizada pelos casos nos quais empresas multinacionais
definem uma estratégia mundial de implantação de
determinado sistema. Neste caso, a subsidiária brasileira não
desenvolve um processo de seleção, ficando restrita a
implantar o software definido pela matriz. A figura 1 expõe a
proporção, na amostra, considerando as três possibilidades
supracitadas.
A
análise da figura 1 mostra que o procedimento de seleção
através de licenças mundiais é bastante representativo.
Isto pode ser explicado em razão do alto valor do investimento
necessário que envolve este tipo de implantação,
o que restringe seus potenciais clientes às empresas de grande
porte, muitas das quais são multinacionais.
Embora um processo formalizado não garanta uma implantação
de sucesso, a adoção de um processo informal aumenta as
chances de fracasso dos projetos. Isto se deve ao fato de muitas vezes
os processos informais estarem restritos apenas aos departamentos que
desejam utilizar as ferramentas, não possuindo grande comprometimento,
e consequentemente cobrança, da direção das empresas.
Quando isto ocorre, os processos de implantação acabam
esbarrando em fortes barreiras organizacionais.
Critérios utilizados na definição do fornecedor
Foi solicitado aos entrevistados que, a partir de uma lista de critérios
pré-estabelecida, indicassem, em ordem decrescente de relevância,
os cinco principais critérios utilizados para a escolha do fornecedor
do sistema. A figura 2 apresenta a compilação desta pontuação,
indicando a importância atribuída para cada critério
de escolha.
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Com relação à figura 2, é interessante analisar
os três principais critérios de escolha. Os dois primeiros
- confiança no fornecedor e integração da solução
- estão associados, principalmente o segundo, a problemas já
encontrados pelas empresas quando da implantação de seus
sistemas integradores. Portanto, a importância dada à integração
pode ser vista como um alinhamento com as implantações já
realizadas no passado.
O terceiro critério diz respeito à aderência às
necessidades. Ou seja, é necessário que o sistema seja compatível
com os sistemas já existentes. Entretanto a busca por uma melhor
integração não deve sacrificar a adequação
da ferramenta. Um bom exemplo são as empresas que apesar de possuírem
o sistema integrador R/3 da SAP escolhem um software de SCM que não
o APO, também da SAP.
Excluindo-se os três primeiros critérios, uma outra observação
importante diz respeito à relativamente baixa importância
dada ao custo da ferramenta. Isto pode ser explicado pelo número
significativo de empresas que implementaram licenças mundiais,
não necessitando, portanto pagar pelas licenças, incorrendo
apenas no custo de implantação.
Finalmente, deve-se destacar também os baixos graus de importância
atribuídos aos critérios de amigabilidade - muitas vezes
associada ao fato do responsável pela escolha não ser um
futuro usuário do sistema - e de tempo total de implantação.
Fornecedores
avaliados
Os processo formais de seleção, e algumas vezes também
os informais, se caracterizam pela avaliação de mais de
um possível fornecedor. A figura 3 mostra o cruzamento do número
de vezes que cada fornecedor foi avaliado com o número de implantação
efetivas de cada um.
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Nota-se
que os fornecedores apresentam comportamento distinto no que diz respeito
à relação Avaliações versus Implantações.
A i2, apesar de possuir grande parte do mercado mundial, foi fornecedora
de apenas uma empresa. Essa sua grande fama mundial ajuda a explicar
o expressivo número de empresas que avaliaram seu produto, sem
necessariamente implementa-lo.
A Manugistics desponta como fornecedor com maior número de implantações,
tendo sido a escolhida em seis dos sete processos seletivos em que foi
considerada.
O APO da SAP se caracteriza por ser um sistema que só é
implantado por empresas que já possuam o R/3, não sendo
nem ao menos avaliado por empresas com outros sistemas integradores.
Tanto a CAPS-BAAN quanto a Synquest também estão muito
associados às empresas que possuem seus sistemas integradores
(apesar de não ser o mesmo fornecedor a Synquest possui um alto
grau de integração com o BPCS). Entretanto esta associação
não é tão forte quanto com o APO.
Processo
de Implantação
Com relação à implantação buscou-se
levantar quais os principais módulos que estão sendo utilizados,
bem como analisar as características de cada processo de implantação
com o objetivo de se identificar quais os fatores críticos de
sucesso. Foram avaliados os seguintes aspectos: Módulos implantados,
composição do time de implantação, tempo
de implantação e problemas encontrados ao longo deste
processo.
Módulos Implantados
A figura 4 mostra o percentual das empresas em que cada tipo de módulo
dos softwares de SCM foi implantado, tendo algumas ocorrências
de empresas que implantaram mais de um módulo.
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Nota-se
que o módulo de planejamento da produção é
aquele com maior número de ocorrências, sendo observado
duas vezes mais do que no segundo colocado - gestão de estoques.
Com base nisto pode-se supor que o planejamento da produção
é um problema bastante frequente e principal fonte de implantações
dos softwares de SCM,
Ao longo das entrevistas foi identificado que os módulos relacionados
às atividades de transporte, ou o de estrutura de rede são
normalmente implantados em empresas que possuem problemas específicos
nestas áreas. Esta observação explica seus baixos
níveis de implantação.
Composição do time de implantação
Foi considerado que o time de implantação pode ser composto
por três tipos de profissionais: funcionários da própria
empresa, funcionários da empresa fornecedora do software e consultores
da empresa integradora. Foi considerado como empresa integradora qualquer
empresa envolvida na implantação que não a empresa
cliente (que irá usar a ferramenta) ou o fornecedor. Normalmente
este papel é desempenhado pelas grandes consultorias.
A figura 5 mostra a composição do time de implantação
para cada uma das treze empresas entrevistadas.
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É
possível notar pelo gráfico que não existem padrões
com relação a quais tipos de profissionais devem compor
a equipe, e ao dimensionamento da mesma. Iremos agora explorar alguns
exemplos a fim de demonstrar como a composição da equipe
pode determinar o grau de sucesso do projeto.
As empresas 1 e 3 são ambas multinacionais que implantaram os
softwares através de licenças mundiais e após suas
matrizes. Desta forma, possuem uma equipe internacional, formada por
funcionários da própria empresa, especializados na implantação
do software nas diversas unidades da mesma. A existência desta
equipe não só torna desnecessária a contratação
de algum integrador, como também garante uma implantação
mais tranquila, principalmente nos casos em que existe um processo de
planejamento padrão em todas as unidades da empresa.
No caso da empresa 2, a implantação foi delegada a uma
equipe formada basicamente por uma integradora, sem a participação
formal de nenhum funcionário da própria empresa. O resultado
foi uma implantação terminada no prazo, mas que no final
não se mostrou aderente às necessidades da empresa. Esta
falta de aderência, causada pela ausência da participação
de funcionários da empresa, acabou gerando insatisfação
com o software, que consequentemente está sendo subtilizado.
No caso da empresa 8, apesar da implantação ter-se dado
apenas através de integradora, esta foi bem sucedida. Isto se
deve ao fato de ter sido uma implantação mundial, feito
por equipe com experiência em outros projetos semelhantes, no
exterior, na mesma empresa.
Tempo
de implantação
Com o objetivo de se analisar o tempo de implantação de
um software de SCM considerou-se não somente o tempo gasto na
implantação em si, mas também o utilizado nas etapas
de seleção da ferramenta e de identificação
de necessidade. Desta forma, pode-se ter uma visão do tempo total
deste tipo de projeto.
Não foi possível levantar esta informação
com todos os entrevistados - apenas 8 foram capazes de nos informar
os prazos. Estas informações podem ser vistas na figura
6.
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Iremos
analisar cada etapa isoladamente. Com relação à
etapa de identificação de necessidade, enquanto algumas
empresas apontam esta etapa apenas como um marco, um mês específico,
outras a consideram mais duradoura. Na realidade, quando de etapas mais
duradouras (empresas 1 e 3), estas estão geralmente associadas
a projetos mais amplos, como por exemplo, a reestruturação
da área de logística, nos quais a implantação
de um software de SCM é uma das atividades resultantes. Mesmo
nos casos de não serem parte de um projeto maior, há casos
em que um longo processo de identificação das necessidades
está associado à análise de um problema específico,
que deverá ser apoiado pelo novo sistema.
De forma geral, os processos de implantação considerados
de sucesso possuem uma fase de identificação de necessidades
maiores do que os que fracassaram. Atribuímos isto ao fato de
que uma análise mais detalhada do problema com o qual o software
irá lidar faz com que se tenha com mais clareza quais são
os principais objetivos, e que atividades devem ser focadas.
Com relação ao tempo de seleção, este é
muito afetado pelas licenças mundiais (onde não há
processo de seleção) e por estratégias de priorização
da integração entre sistemas, caso em que se opta pelo
software de SCM do mesmo fornecedor do ERP e que mais uma vez praticamente
inexiste um processo de seleção.
Apesar de não garantir o sucesso da implantação,
os processos com tempos de seleção um pouco mais longos
resultaram em escolhas consideradas acertadas por parte das empresas,
principalmente no que diz respeito à aderência da ferramenta
às necessidades do negócio.
Com relação ao tempo de implantação, as
variações são devidas aos diferentes graus de complexidade
dos projetos, incluindo-se neste aspecto empresas que implantaram o
software em mais de um site - caso da empresa 5.
Principais
problemas encontrados
A fim de identificar os principais problemas encontrados ao longo do
processo de implantação, foi apresentada aos entrevistados
uma série pré-definida de eventuais problemas e solicitado
que enumerassem, em ordem decrescente, os 5 principais. A compilação
desta informação se encontra na figura 7.
A seguir
serão discutidos os dois aspectos mais citados, problemas culturais
e remodelagem de processos, e também o de qualificação
do pessoal contratado.
Problemas
Culturais: Constitui o principal problema, tendo sido citado por
praticamente todos os entrevistados. A razão para isto é
o fato de que a implantação deste tipo de sistema invariavelmente
altera o modo pelas quais certas decisões são tomadas.
Isto faz com que possam despertar dois tipos de barreiras culturais:
-
Resistência
à mudança, ou seja, a não utilização
da ferramenta por se considerar que o modo antigo era melhor e que
o novo sistema não atende a todas as necessidades.
-
Sensação de perda de poder, ou até mesmo de risco
de demissão, por parte de alguns funcionários em função
de tarefas antes realizadas manualmente passarem a ser feitas diretamente
pelo sistema.
Com relação
ao segundo tópico, o que ocorre na verdade é uma mudança
no perfil do trabalho, que pode passar de atividades operacionais para
atividades de análise. Uma consequência direta disto é
a necessidade de programas de capacitação, de tal forma
que os funcionários sejam capazes de operar plenamente o novo
sistema. Estes programas de capacitação por si só
já são alternativas para reduzir às barreiras à
implantação.
Remodelagem
de processos: Segundo aspecto mais problemático, a necessidade
de remodelagem de processos muitas vezes não é prevista
nas implantações. Sua importância reside no fato
dos softwares de SCM trazerem metodologias de análise muito mais
elaboradas, que frequentemente não se encaixam nos processos
anteriores. Um aspecto que geralmente gera mudanças é
a necessidade de informações que não eram trabalhadas
até então, o que de certa forma está relacionado
ao terceiro problema no ranking, o de obtenção de dados.
Qualificação
do pessoal contratado: Apesar de não ser um aspecto entre
os mais críticos, foram frequentes as críticas à
qualificação do pessoal contratado para a implantação,
seja de consultoria ou até mesmo dos fornecedores. Por mais de
uma vez foi citado o baixo grau de conhecimento dos implantadores no
que diz respeito aos softwares, tendo ficado a percepção
nos entrevistados de que "toda a equipe aprendeu e conheceu o sistema
ao longo do projeto". Isto provavelmente está relacionado
ao fato destes serem sistemas relativamente recentes, com poucas implementações
aqui no Brasil e, consequentemente, com poucas pessoas com experiência.
Grau
de satisfação com a ferramenta
Com
o objetivo de captar o nível de satisfação dos
entrevistados com a ferramenta, foi apresentada uma série de
aspectos e solicitado que informassem para cada um, em relação
às expectativas no início do projeto de implantação,
uma entre as quatro alternativas: muito insatisfeito, insatisfeito,
satisfeito ou muito insatisfeito. Os resultados podem ser vistos na
figura 8.
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Uma característica
interessante deste gráfico é de que os quesitos nos quais
as empresas estão satisfeitas são aqueles referentes às
funcionalidades dos softwares - capacidade analítica, quantidade
e qualidade de informações, aderência às
necessidades - ou seja, que possuem baixa relação com
o processo de implantação. Por outro lado, os aspectos
que geram insatisfação estão associados ao processo
de implantação ou ao pós-venda (caso de serviços
agregados).
A integração dos sistemas aos ERPs apresenta um alto grau
de satisfação, o que é bastante relevante uma vez
que esta característica foi um dos principais critérios
de escolha das ferramentas.
Outro aspecto a ser analisado é com relação ao
custo do processo. O aspecto de custo, que engloba apenas custo com
licenças, não apresenta nem satisfação nem
insatisfação, ou seja, exatamente o esperado. Entretanto,
o investimento total, que engloba não só a licença,
mas também todo o custo da implantação, aparece
como o aspecto de maior insatisfação, indicando que frequentemente,
os valores superaram a previsão inicial.
Em muitos casos, o custo adicional incorrido durante a implantação
está associado a projetos com duração superior
à prevista. Esta característica está alinhada com
o alto grau de insatisfação também obtido no aspecto
de tempo de implantação.
Conclusão
Os resultados
da pesquisa demonstram que o processo de implantação de
um software de SCM possui alto grau de complexidade bem como inúmeros
aspectos que devem ser trabalhados em vista a se obter uma implantação
de sucesso (composição do time, processo de seleção
do fornecedor, capacitaçào interna, etc).
Esta alta complexidade vem resultando em projetos sistematicamente fora
do prazo e com gastos superiores aos orçamentos iniciais. Entretanto,
apesar do investimento ter superado as expectativas, cerca de 44% dos
entrevistados afirmam que o retorno sobre o investimento do projeto
como um todo foi maior ou muito maior do que o esperado, e 34% consideram
como sendo igual ao esperado.
Esta satisfação quanto ao retorno também é
observado com relação ao desempenho do software após
sua implantação, para o qual apenas 18% dos entrevistados
o consideram pior ou muito pior do que o esperado, e que 55% consideram
igual ao esperado.
Com base
em tudo o que foi visto pode-se concluir que, apesar dos inúmeros
problemas possíveis de serem encontrados ao longo de um processo
de implantação de um software de SCM, e dos custos serem
frequentemente superiores aos previstos, ainda assim as empresas estão
satisfeitas com as ferramentas e obtendo retorno.
Isto indica que o movimento de implantação destes sistemas
no Brasil tende a se tornar cada vez mais forte, inclusive com graus
decrescentes de dificuldades em função desta primeira
fase de implantações e do aprendizado tirado das mesmas.
-
KAHL,
Steven J.,1999, "What's the Value of Supply Chain Software?",
Supply Chain Management Review.
-
KANAKAMEDALA,
Kishore, RAMSDELL, Glenn, SRIVATSAN,Vats, 2003, "Getting Supply
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David, KAMINSKY, Philip, SIMCHI-LEVI, Edith, 1999, Designing and Managing
the Supply Chain: Concepts, Strategies, and Cases, Irwin/McGraw-Hill
- STADLER,
Hartmut, KILGER, Christoph, 2000, Supply Chain Management and Advanced
Planning, Concepts, Models, Software and Case Studies, Springer, Berlim
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Cambridge/Mass
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